Fundos de pensão planejam ampliar ações após redução significativa desde 2013
Desde 2013, a participação de ações nos fundos de pensão brasileiros caiu de 34% para 4,7%, mas há intenção de retomada nos próximos anos.
Desde 2013, os fundos de pensão brasileiros reduziram drasticamente a participação de ações em suas carteiras, que caiu de 34% para apenas 4,7% em dezembro de 2025, segundo dados do Raio-X de Investimentos das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs) de 2026 apresentados pela Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar) em parceria com a Itajubá Investimentos.
O estudo, divulgado em congresso realizado em São Paulo, abrange entidades detentoras de cerca de R$ 461 bilhões em ativos, representando cerca de um terço do sistema nacional. A pesquisa comparou as alocações de dezembro de 2025 com as de 2013 e 2023 e revelou que, apesar da retração recente, os fundos têm a intenção de aumentar a exposição à renda variável, especialmente ações, nos próximos três anos, com alta mais expressiva prevista para o horizonte de longo prazo (36 meses).
Preferência atual pela renda fixa e desafios para retomada de ações
Em dezembro de 2025, os fundos de pensão concentravam 86% dos ativos em renda fixa, principalmente em títulos públicos indexados à inflação, como as NTN-Bs (Tesouro IPCA+). Conforme explicou João Ferreira, diretor de Investimentos da Abrapp, essa concentração reflete o contexto de juros reais elevados, que proporcionaram rentabilidades superiores aos compromissos atuariais das entidades, além da maturidade do sistema, no qual pagamentos de benefícios superam as contribuições, reforçando a necessidade de ativos menos voláteis e mais estáveis.
Ferreira destacou, entretanto, que uma retomada mais vigorosa dos investimentos de maior risco dependerá de uma mudança estrutural no cenário de juros reais, com a necessidade de que estes se mantenham em níveis mais baixos e previsíveis por períodos prolongados para que os fundos busquem retornos superiores aos dos títulos públicos.
Investimentos no exterior ganham força
O levantamento indicou que, entre as intenções de aumento de exposição para os próximos anos, os investimentos no exterior lideram, segundo Carlos Garcia, sócio-fundador da Itajubá Investimentos. A presença de estratégias internacionais nas políticas de investimento das entidades passou de 50% em 2013 para 84% em 2026, com maior protagonismo de mandatos globais em detrimento dos voltados exclusivamente para os Estados Unidos.
A diversificação e a baixa correlação dos ativos internacionais foram apontadas como os principais motivos para essa crescente busca por exposição externa. Em contraste, imóveis e Fundos de Investimento em Participações (FIPs) são as classes de ativos com maior intenção de redução na carteira dos fundos.