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Empresas

Como líderes influenciam o sono das equipes e o impacto no desempenho organizacional

Estudo mostra que comportamentos e expectativas dos líderes afetam o sono e o comportamento dos funcionários nas empresas.

17/10/2026 às 05h23

Pesquisas recentes indicam que atitudes e expectativas estabelecidas por líderes no ambiente organizacional podem prejudicar significativamente o sono dos funcionários, com efeitos diretos no desempenho e no comportamento ético no trabalho. O professor Christopher Barnes, pesquisador em comportamento organizacional, investigou como gestores que promovem a ideia de que o sono deve ser sacrificado pela dedicação ao trabalho acabam influenciando negativamente o descanso das suas equipes.

Os estudos mostraram que, quando líderes demonstram orgulho por dormir pouco, enviam mensagens em horários geralmente destinados ao sono ou recompensam respostas a e-mails em horários inadequados, os colaboradores tendem a dormir mal. Além do impacto no descanso, esse ambiente está associado a uma maior probabilidade de comportamentos antiéticos durante o expediente.

Treinamento militar como exemplo de liderança do sono

Uma intervenção realizada em 39 pelotões do Exército dos Estados Unidos, onde líderes receberam uma hora de treinamento para tratar o sono da equipe como uma responsabilidade, resultou em que os subordinados dobrassem as chances de dormir mais de sete horas por noite, sem sequer saberem que participavam de um estudo. Esse treinamento enfatizou a importância de incentivar descanso antes de períodos de maior exigência e dar exemplo ao manter horários adequados para dormir.

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Permissões e valores na cultura organizacional

Mais do que políticas formais, o que influencia o sono dentro das empresas são os comportamentos dos líderes, que definem o que é permitido e o que é valorizado em relação ao descanso. Pesquisas indicam que, quando organizações permitem flexibilidade para negociar horários de reuniões cedo demais ou dispensam respostas imediatas a mensagens enviadas à noite, os líderes relatam menor privação de sono. Contudo, em ambientes onde dormir pouco é visto como demonstração de comprometimento, os funcionários tendem a esconder o cansaço, exibindo esforço, porém ocultando o seu custo real, como lentidão mental e irritação.

Esse fenômeno cria uma cultura que exige simultaneamente a exibição do sacrifício do sono e a ocultação do desgaste gerado por ele, prejudicando a saúde e a honestidade das lideranças.

Autoavaliação e observação para promover mudanças

Para avançar na melhoria do sono nas organizações, líderes podem se beneficiar de uma avaliação pessoal que contempla perguntas sobre a qualidade do próprio sono, frequências de reuniões ou envio de e-mails em horários inadequados e valorização de atitudes relacionadas ao sacrifício do descanso.

Além disso, é essencial observar sinais na equipe que indiquem privação de sono, como erros frequentes, irritabilidade, falta de concentração, aumento do consumo de cafeína e cochilos durante o trabalho. Tais evidências servem para iniciar diálogos construtivos sobre energia e saúde, promovendo um ambiente que reconheça o sono como parte vital do desempenho profissional.

Destaca-se que mudanças na cultura organizacional precisam contemplar tanto o que é permitido quanto o que é valorizado para que líderes e equipes possam descansar adequadamente e admitir quando necessitam de recuperação, favorecendo a saúde, o comprometimento genuíno e o comportamento ético na empresa.

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