Bolsa da Indonésia cai ao menor nível desde 2020 após alerta da MSCI sobre reclassificação
Índice de ações de Jacarta recua após possível exclusão do país dos principais índices globais sugerida pela MSCI.
A Bolsa da Indonésia sofreu uma forte queda, alcançando seu menor nível desde 2020, em decorrência das preocupações geradas por um alerta da MSCI Inc. acerca da possibilidade de rebaixamento do país dentro dos seus índices de mercado financeiro.
Recentemente, a MSCI iniciou uma consulta para considerar a reclassificação da Indonésia da categoria de mercado emergente para a classificação de mercado isolado (standalone). Caso essa mudança seja confirmada, as ações do país deixariam de fazer parte de diversos índices globais acompanhados por fundos internacionais, o que poderia acarretar vendas expressivas por parte desses investidores. O período para envio de comentários à MSCI está aberto até 30 de abril de 2027, e a decisão final deverá ser divulgada até 30 de junho do mesmo ano.
Em resposta, as autoridades do mercado local adotaram medidas para conter o impacto negativo da notícia. A operadora da bolsa anunciou o aperto dos limites de negociação para ações individuais, reduzindo a queda diária permitida de 15% para 7%, medida que permanecerá válida até o fim do ano e poderá ser ajustada conforme o desenrolar do mercado.
Analistas do banco CIMB indicam que os efeitos de um possível rebaixamento podem ultrapassar o mercado acionário, incluindo atrasos nos investimentos estrangeiros diretos e a ocorrência de novas saídas de capital em outros ativos financeiros locais.
No pregão do último dia, o índice Jakarta Composite, principal indicador do mercado acionário indonésio, chegou a registrar uma queda de 5,4%, atingindo 4.907,37 pontos, patamar não visto desde 2020. Voltou a se recuperar parcialmente e encerrou o dia em 4.996,61 pontos, recuo de 3,64%. As perdas acumuladas no ano já ultrapassam 40%, posicionando a bolsa da Indonésia entre as de pior desempenho global no período.
Especialistas financeiros também classificam a proposta da MSCI como mais severa do que o esperado. Gareth Leather, da Capital Economics, destacou que a recomendação supera a ameaça anterior da MSCI de rebaixar o país para mercado de fronteira, apontando que até essa classificação subestimaria os desafios enfrentados.
Segundo análises do Goldman Sachs, a exclusão completa da Indonésia dos índices da MSCI poderia provocar saídas passivas da ordem de US$ 5,6 bilhões, além de US$ 2,7 bilhões adicionais, caso a administradora FTSE Russell decida tomar decisão semelhante.
O alerta da MSCI acontece apenas meses depois de um comunicado similar em janeiro, quando a empresa indicou a possibilidade de rebaixar a Indonésia para a categoria de mercado de fronteira devido a preocupações relacionadas a condições de investimento e transparência. Na ocasião, o mercado sofreu uma liquidação de quase US$ 80 bilhões.
Até o momento, a bolsa indonésia busca obter maiores esclarecimentos da MSCI sobre os motivos que levaram ao anúncio, levando em consideração as recentes reformas implementadas no país.