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Empresas

XP Asset alerta: maior risco da Bolsa americana é não investir nela

Para César Florido, da XP Asset, ficar de fora da Bolsa americana significa perder as maiores oportunidades globais de investimento.

20/10/2026 às 12h18

Segundo avaliação de César Florido, head da XP Asset nos Estados Unidos, o maior risco para quem investe no Brasil é concentrar todo o patrimônio em ativos domésticos e deixar de aproveitar oportunidades na Bolsa americana, que representa a maior parte do mercado de capitais mundial. O Brasil responde por menos de 1% desse mercado global.

Florido explica que os lucros das empresas do índice S&P 500 tiveram crescimento de 30% nos últimos 12 meses, impulsionados não somente pela inteligência artificial, mas também por transformações importantes em setores como saúde e energia. Ele compara o mercado americano a um “transatlântico navegando a 50 milhas por hora”, e destaca que o maior risco é não participar dessa dinâmica.

Mais do que tecnologia: setores com potencial de crescimento

Embora a inteligência artificial seja um tema frequente nas manchetes, Florido considera equivocado limitar as perspectivas da Bolsa americana apenas a essa área. Ele aponta para mudanças estruturais esperadas no setor de saúde e para a transformação na geração de energia elétrica, ressaltando que a inteligência artificial depende diretamente de energia disponível.

Essas mudanças ampliam o leque de oportunidades para além das empresas diretamente ligadas à IA, ampliando a diversidade do mercado.

Inflação como fator relevante para investimentos

O executivo também acredita que a inflação persistente será um desafio importante na próxima década, com uma expectativa de inflação americana acima de 3% ao ano. Nesse contexto, as ações ganham importância por representarem participação em negócios reais e possibilitarem acompanhar o crescimento nominal da economia.

Florido enfatiza que não se deve comprar ações americanas a qualquer preço, mas alerta que não ter nenhuma exposição a esses ativos é um erro.

Renda fixa internacional: preferência por prazos curtos e maior risco de crédito

A XP Asset adota uma postura mais cautelosa em relação à renda fixa internacional, particularmente sobre títulos de longo prazo, já que espera que os juros longos nos EUA se mantenham elevados ou até mesmo aumentem a partir de 2027.

Por isso, a gestora mantém uma carteira com duration curta – abaixo de quatro anos, contra 6,2 anos do índice Global Aggregate –, reduzindo a sensibilidade às oscilações das taxas de juros.

Para compensar essa estratégia, há maior exposição a riscos de crédito, especialmente em títulos americanos de alto rendimento (high yield) e dívida de mercados emergentes, que apresentam boas perspectivas dadas as condições fiscais dessas economias após a pandemia.

Erros comuns ao investir no exterior e recomendações

Florido identifica três erros típicos para os investidores brasileiros que buscam diversificar internacionalmente:

  • Tentar acertar o momento do dólar: Em vez disso, o especialista recomenda construir a exposição internacional gradualmente, por meio de compras periódicas para reduzir a dependência de uma única cotação.
  • Manter viés doméstico: Internacionais, mas comprando ativos ligados ao Brasil, os investidores acabam sem diversificar efetivamente os riscos. A sugestão é apostar em ações e títulos de mercados desenvolvidos e emergentes para ampliação da diversificação.
  • Escolha inadequada de produtos de renda fixa: Muitos investidores brasileiros não estão acostumados à volatilidade dos títulos prefixados no exterior, o que requer cautela e ajuste do perfil de risco na alocação internacional.

Investimento internacional como estratégia de longo prazo

Apesar dos riscos atuais no mercado global, como tensões geopolíticas, inflação persistente e juros elevados, Florido defende que a construção de uma posição internacional na Bolsa americana deve ser encarada com visão de médio e longo prazo, acompanhando crescimento, inovação e maior produtividade.

Em resumo, ficar fora da Bolsa americana representa, para o executivo da XP Asset, o maior risco para quem quer diversificar e ampliar as possibilidades de retorno em seu portfólio.

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