Zelensky afirma que Rússia persiste em ataques à infraestrutura energética apesar de anúncio de cessar-fogo por Trump
Presidente ucraniano confirma continuidade dos bombardeios russos após declaração de trégua divulgada por Trump nas redes sociais.
Em pronunciamento durante o Fórum de Segurança de Varsóvia, na Polônia, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Rússia manteve ataques contra instalações de energia ucranianas mesmo depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo entre os dois países. O anúncio de Trump ocorreu por meio de uma publicação nas redes sociais no domingo (11), na qual ele afirmou que Rússia e Ucrânia haviam concordado em interromper imediatamente os ataques às instalações energéticas.
Zelensky ressaltou que o governo da Ucrânia tomou conhecimento do suposto acordo apenas pela imprensa e que Moscou não confirmou oficialmente a suspensão dos bombardeios. Após o anúncio de Trump, forças russas atingiram uma usina de energia na cidade de Kharkiv, no nordeste do país, além de uma instalação de produção de gás e um posto de combustíveis.
O Kremlin afirmou que as negociações sobre a proposta de cessar-fogo prosseguem, porém não confirmou a existência de um acordo e não esclareceu se a trégua se aplicaria exclusivamente aos ataques contra infraestruturas de petróleo e gás.
Proposta ucraniana e resposta internacional
Zelensky declarou que a Ucrânia está disposta a respeitar uma suspensão dos ataques ao setor energético, desde que a Rússia também o faça. Ele pediu ainda que o presidente americano pressione o governo de Vladimir Putin para garantir o cumprimento da proposta de trégua. O presidente ucraniano mencionou que este poderia ser um primeiro passo para o fim do conflito, que se arrasta desde fevereiro de 2022, com a invasão russa.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, expressou ceticismo quanto à disposição de Moscou em aderir a um cessar-fogo, ressaltando que qualquer trégua deveria abranger não apenas a infraestrutura energética, mas também cessar os ataques contra a população civil.
Contexto dos ataques à infraestrutura energética
Desde o início da guerra, a Rússia tem promovido bombardeios contra instalações vitais para o fornecimento de eletricidade, aquecimento e água na Ucrânia, causando severos impactos especialmente durante o inverno. Em resposta, a Ucrânia realizou ataques contra refinarias e outras instalações energéticas russas, inclusive em regiões distantes da fronteira entre os dois países.
Conflitos recentes e impasse nas negociações
Na noite de domingo (11), um ataque com drone russo na vila de Pisochyn, região de Kharkiv, deixou três mortos e nove feridos, incluindo crianças. Em Kiev, ataques aéreos resultaram em feridos e incêndios em residências. As forças aéreas ucranianas informaram ter neutralizado a maioria dos drones lançados pela Rússia em ataques recentes.
Enquanto isso, a Rússia informou ter interceptado drones ucranianos e também lançou ataques a instalações portuárias e um navio cargueiro em Odessa, acusando-o de transportar material militar. Essas informações não foram verificadas de forma independente.
Divergências sobre eleições e continuidade do conflito
Além das negociações sobre o cessar-fogo, houve desentendimentos entre Trump e Zelensky sobre a realização de eleições presidenciais na Ucrânia. Trump defendeu que o país deveria eleger um novo líder, criticando Zelensky por supostamente não fazer o suficiente para encerrar a guerra. Por sua vez, o presidente ucraniano declarou que eleições são inviáveis enquanto os ataques persistirem, mas que estaria aberto a considerar o pleito caso se alcance um cessar-fogo completo por pelo menos 60 dias, condição necessária conforme a legislação vigente durante a lei marcial.