Yoani Sánchez e Berta Soler, líder das Damas de Branco, são presas em Cuba
Yoani Sánchez e Berta Soler foram detidas pela polícia política enquanto saíam de casa em Havana.
A jornalista Yoani Sánchez, reconhecida pelo jornalismo independente em Cuba, e a líder do movimento oposicionista Damas de Branco, Berta Soler, foram detidas nesta quinta-feira (5) em Havana. Sánchez, de 51 anos, foi abordada pela polícia política enquanto saía de sua residência no bairro de Nuevo Vedado para realizar compras, conforme o jornal digital 14ymedio — veículo fundado e dirigido por ela desde 2014.
Seu marido, o jornalista independente Reinaldo Escobar, relatou nas redes sociais que não há notícias sobre o paradeiro dela após sua detenção.
De maneira semelhante, Ángel Moya, esposo de Berta Soler e também dissidente, confirmou que Soler e María Cristina Labrada — outra integrante das Damas de Branco — foram detidas ao deixarem a casa que serve como sede do movimento oposicionista. Ele informou que ainda desconhecem o destino das duas.
O Observatório Cubano de Direitos Humanos, organização sediada na Espanha, cobrou nas redes sociais informações imediatas sobre o paradeiro de Soler e Labrada, bem como a libertação das mulheres.
Contexto do movimento e trajetória de Yoani Sánchez
Berta Soler, de 63 anos, lidera as Damas de Branco, grupo pacífico que utiliza roupas brancas como símbolo de protesto. O movimento nasceu em 2003, após a repressão conhecida como "Primavera Negra", quando 75 opositores foram encarcerados. Em 2005, o Parlamento Europeu concedeu ao grupo o Prêmio Sakharov de Direitos Humanos.
Por sua vez, Yoani Sánchez conquistou em 2008 o Prêmio Ortega y Gasset do jornalismo em língua espanhola e foi incluída na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time naquele mesmo ano. Ela utiliza o 14ymedio para denunciar censura, perseguição e a repressão exercida pelo governo cubano contra opositores.
Perseguição à imprensa independente em Cuba
Periodicamente, Yoani Sánchez e outros jornalistas independentes enfrentam detenção e impedimentos pela polícia política cubana, que frequentemente impede sua circulação para cobrir eventos importantes ou realiza prisões temporárias.
Desde 2023, uma lei em Cuba limita oficialmente a existência de meios de comunicação ao controle estatal do Partido Comunista, excluindo veículos independentes. Entretanto, nos últimos dez anos, surgiram publicações digitais independentes, acessadas por meio de redes privadas virtuais (VPNs).
A 14ymedio também relatou que diversos colaboradores de veículos da oposição foram detidos nas últimas semanas em vias públicas. Após serem liberados, receberam multas ou advertências das autoridades.
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