Senado analisa impeachment de Santiago Peña após crise do banco ueno
Crise política no Paraguai avança com processo de impeachment contra presidente Santiago Peña, acusado de conflito de interesses.
O Senado do Paraguai retomou nesta quinta-feira (5) a sessão para analisar o processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña. O país enfrenta uma crise política após o banco digital ueno ter encerrado suas atividades, deixando milhões de clientes sem acesso aos depósitos.
A sessão extraordinária, iniciada às 19h50, foi constituída como tribunal para conduzir o julgamento político do presidente. Até o momento, os parlamentares responsáveis pela acusação apresentavam os principais pontos da denúncia.
Contexto da crise e processo de impeachment
Na tarde do mesmo dia, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 78 votos, a abertura do processo de impeachment contra Peña, além de levar à votação o pedido de renúncia do presidente.
Enquanto a oposição defendia a rejeição da renúncia para continuar com o impeachment — argumentando que a renúncia permitiria que Peña se tornasse senador vitalício com foro privilegiado — os governistas defendiam que a aceitação da renúncia encerraria rapidamente a crise política e permitiria a transferência de poder ao vice-presidente Pedro Alliana.
De acordo com a legislação paraguaia, ex-presidentes que renunciam ou concluíram seus mandatos tornam-se senadores vitalícios com imunidade parlamentar. Contudo, a Constituição estabelece que essa prerrogativa cai se o ex-presidente for julgado politicamente e considerado culpado.
O senador opositor Líder Amarilla alertou que aceitar a renúncia poderia evitar que Peña respondesse a processos na Justiça comum.
Acusações contra Santiago Peña
Santiago Peña, economista e ex-acionista do grupo controlador do banco ueno até março do ano passado, enfrenta acusações de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. O banco digital atendia cerca de 3 milhões de clientes e mantinha aproximadamente US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,2 bilhões, na cotação de 05/11) em depósitos públicos, incluindo fundos do Instituto de Previdência Social.
O banco fechou as portas em 3 de novembro, após o Banco Central iniciar sua liquidação, face a insuficiência de recursos para cobrir obrigações relacionadas a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à instituição.
Executivos do banco foram presos e 27 pessoas ligadas à instituição foram formalmente acusadas, com seus bens bloqueados pela Justiça.
Peña divulgou comunicado em que pede desculpas à população afetada e afirma que responsáveis pelas irregularidades responderão judicialmente. Ele também promulgou uma lei para acelerar a recuperação dos depósitos pelos clientes do ueno.
Reação do sistema financeiro
Falhas em aplicativos bancários de outras instituições aumentaram a apreensão sobre a estabilidade financeira no país. A Associação de Bancos do Paraguai informou que o sistema continua operando normalmente, apesar da demanda elevada de clientes migrando suas contas do banco ueno.
Veja também
Santiago Peña defende ressarcimento a clientes durante processo de impeachment
Em Internacional
EUA eliminam uso de disquetes no controle aéreo até 2028 com novo sistema
Em Economia
Trump afirma na Casa Branca que pode destruir o Irã se necessário
Em Internacional
Presidente do Paraguai é alvo de investigação por suspeita de corrupção
Em Internacional
Perfil de Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA
Em Internacional


Comentários
Entre na sua conta e seja o primeiro a comentar esta matéria.