Trump sofre críticas por plano de importar diesel russo em meio à guerra na Ucrânia
Plano de Trump para importar diesel da Rússia provoca reações negativas internas e internacionais em contexto de conflito e alta dos preços.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um acordo para importar diesel da Rússia, que tem gerado críticas de legisladores republicanos e democratas, além de líderes internacionais, especialmente no contexto da guerra entre Rússia e Ucrânia e da crise energética global.
Trump revelou que o presidente russo, Vladimir Putin, concordou em liberar imediatamente 300 mil toneladas de diesel para o mercado americano e global, com entregas adicionais previstas de 500 mil toneladas em novembro, mais um milhão de toneladas posteriormente, seguidas por até três milhões de toneladas em um curto período, dependendo das condições das refinarias russas, que têm sido atacadas pela Ucrânia.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky classificou o acordo como um presente para Putin, que representaria um investimento financeiro em um conflito que ele deseja ver terminado. O Departamento do Tesouro dos EUA estaria suspendendo temporariamente as sanções sobre exportações de diesel russo até 7 de abril, mas ativos como fundos em bancos americanos permaneceriam congelados.
Um grupo de sete senadores dos EUA — quatro republicanos e três democratas — manifestou que o acordo viola as leis americanas que, desde 2022, proíbem importações de energia russa para evitar o financiamento da guerra. Entre os signatários estão Susan Collins, Lisa Murkowski, Thom Tillis, John Curtis, Jeanne Shaheen, Richard Blumenthal e Ron Wyden, que pediram que Trump altere o rumo do acordo.
Por outro lado, o deputado republicano Thomas Massie defendeu a suspensão das sanções sobre todos os produtos derivados de petróleo russo. O Secretário do Tesouro de Trump, Scott Bessent, afirmou que o acordo funcionaria dentro dos canais legais para ajudar a reduzir os preços de combustível e contestou críticas contrárias.
Especialistas avaliam se a Rússia seria capaz de suprir as quantidades prometidas e o impacto real no preço dos combustíveis nos EUA, que consomem cerca de 3,6 milhões de barris de diesel por dia. Mesmo as entregas iniciais representariam uma pequena fração desse consumo. Em setembro, o preço médio do diesel nos EUA foi de US$ 6,28 por galão, abaixo do recorde recente de US$ 6,53.
Líderes internacionais como o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e o Secretário de Defesa do Reino Unido, Wes Streeting, criticaram a estratégia, defendendo que os Estados Unidos e aliados devem manter a pressão sobre a Rússia para encerrar o conflito.
Além disso, Trump declarou que Rússia e Ucrânia chegaram a um “cessar-fogo energético”, embora detalhes e confirmação oficial de Moscou não tenham sido divulgados até o momento.