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Internacional

Tráfico mexicano adapta laboratórios para driblar fiscalização e manter produção de metanfetamina em alta

Cartéis adotam laboratórios menores e métodos mais baratos diante do aumento da repressão das autoridades no México e EUA.

Por redação gnews 12/10/2026 às 09h07

O combate ao narcotráfico no México sofreu um novo desafio com a adaptação das organizações criminais que produzem metanfetamina. Embora a repressão governamental tenha aumentado nos últimos anos, especialmente com a pressão dos Estados Unidos, os cartéis mexicanos modificaram suas táticas para manter o mercado em expansão, segundo especialistas entrevistados.

Em setembro de 2026, as autoridades mexicanas anunciaram a descoberta de um megalaboratório clandestino no estado de Chihuahua, capaz de produzir até cem quilos de metanfetamina por dia. No entanto, essa operação de grande escala convive com uma mudança clara do cenário: laboratórios menores, de apenas cinco metros quadrados, têm sido utilizados para facilitar a dispersão dos vapores tóxicos e dificultar a detecção das forças de segurança, principalmente em áreas isoladas.

Estratégia para driblar fiscalização

Segundo o analista em segurança David Saucedo, os grandes cartéis, que antes operavam complexos industriais clandestinos, têm migrado para estruturas menores que permitem escapar com mais facilidade de operações policiais e minimizam perdas em caso de apreensão. Essa mudança estratégica foi motivada, em parte, por ameaças do governo americano, que chegou a anunciar a possibilidade de ataques contra grandes laboratórios.

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Além disso, há relatos de que parte da produção migrou para áreas urbanas, aumentando o risco para civis e criando uma barreira política e midiática para possíveis ações militares conduzidas pelos EUA na região.

Métodos de produção e mercado em expansão

Outro fator que sustenta esse cenário é a mudança no método de fabricação. Pesquisadores explicam que os traficantes mexicanos abandonaram a dependência da pseudoefedrina — um medicamento controlado — para utilizar o precursor químico P2P, cujo uso é menos regulamentado. Isso tornou o processo mais barato e acessível para os cartéis, apesar da necessidade contínua de insumos importados da Ásia e de cozinheiros especializados na fabricação.

Enquanto o mercado de fentanil registra retração nos Estados Unidos, a metanfetamina apresenta o oposto, com aumento da pureza e recordes na apreensão. Internamente, no México, o consumo também cresceu significativamente.

Repressão aumenta, mas desafios continuam

Dados oficiais indicam que, desde outubro de 2024, as autoridades mexicanas desmontaram mais de 2.700 laboratórios clandestinos. No entanto, especialistas ponderam que esses números devem ser interpretados com cautela, pois incluem depósitos e pontos de transporte, não apenas locais de produção direta.

Críticos ressaltam que é fundamental que as operações físicas contra laboratórios sejam acompanhadas por investigações criminais profundas para desmantelar as redes criminosas por completo. A prisão e responsabilização judicial dos envolvidos são consideradas essenciais para o impacto real das ações de combate ao narcotráfico.

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