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Internacional

Protestos pela Europa crescem devido à crise do custo de vida e problemas sociais

Alta do custo de vida, crise em serviços públicos e habitação mobilizam manifestações em vários países europeus, em meio a avanços de partidos radicais.

21/10/2026 às 10h36

Manifestantes têm ocupado ruas em várias nações europeias, impulsionados por problemas como o aumento dos preços da energia e combustíveis, deterioração dos serviços públicos e a crise habitacional. Países como França, Itália, Espanha e Portugal vivem um ambiente político tenso, refletido em intensas manifestações e confrontos.

Segundo o cientista político Gilles Ivaldi, da Sciences Po, a insatisfação com o poder de compra tornou-se um motor significativo para a política populista no continente. Na França, por exemplo, a combinação da inflação elevada, baixo crescimento econômico e endividamento público resultou em medidas de cortes de gastos governamentais, agravando o cenário social.

Nas últimas semanas, manifestações mobilizaram centenas de milhares de pessoas no país. O estopim foi o movimento estudantil que exigia melhorias nas escolas, expandindo-se para a denúncia do aumento do custo de vida. Embora grande parte das manifestações tenha sido pacífica, ocorreram episódios de violência, com saques, depredações e confrontos com a polícia.

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Outros países europeus também registraram protestos, como Bélgica, Itália e Portugal, embora em escala menor. Em Albânia, as manifestações focam na corrupção, desemprego e baixa qualidade da educação, enquanto na Espanha e Portugal há forte mobilização contra a crise da moradia, com ocupações e acampamentos nas principais cidades.

O momento político europeu é marcado pela aproximação de eleições decisivas, como as presidenciais na França em 2027 e as nacionais na Itália em 2027, que têm visto o crescimento de partidos de extrema-direita, como o partido Futuro Nacional na Itália e a líder Marine Le Pen na França.

Além das questões sociais, os protestos refletem tensões geopolíticas, já que algumas forças políticas defendem a retomada dos laços energéticos com a Rússia para reduzir o custo de energia, mesmo em um contexto de apoio à Ucrânia. Isso amplia a complexidade do cenário político com debates sobre segurança, economia e alinhamentos internacionais.

Na Itália, por exemplo, a escalada dos protestos incluiu confrontos violentos, saques e bloqueios rodoviários por caminhoneiros e agricultores. Consequências como a suspensão da produção em fábricas de alimentos geraram preocupações adicionais quanto à estabilidade econômica do país.

Em países como Portugal e Espanha, a pressão pelo tema da habitação está levando governos a promoverem medidas para moradias acessíveis, embora com obstáculos legislativos, além da convocação de eleições antecipadas e greves gerais.

O ambiente de instabilidade social é também alimentado pela ansiedade dos jovens europeus frente às incertezas econômicas e perspectivas de futuro, tornando o cenário propício para a polarização política e o fortalecimento de forças extremistas, tanto de direita quanto de esquerda.

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