Partidos árabes decidem formação do novo governo em Israel
Raam e Lista Conjunta aumentam representação no Knesset e entram no centro da disputa para derrubar Netanyahu.
Nas eleições recentes de Israel, os partidos árabes Raam e Lista Conjunta ampliaram significativamente sua presença no Parlamento, o Knesset, conquistando juntos 19 cadeiras. Esse resultado os coloca como atores centrais nas negociações para a formação do próximo governo, especialmente no esforço da oposição para afastar o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
O bloco opositor, liderado pelo ex-chefe do Exército Gadi Eisenkot, que inclui o Raam e a Lista Conjunta, somaria 66 cadeiras. Essa maioria parlamentar possibilitaria a destituição do governo de Netanyahu, considerado extremista por seus adversários.
Experiências anteriores indicam as dificuldades para integrar os partidos árabes em coalizões governamentais. Em 2021, o Raam participou de um governo de coalizão envolvendo Naftali Bennett e Yair Lapid, que durou pouco mais de um ano, evidenciando os desafios políticos dessa aliança.
No atual cenário, o aumento do eleitorado árabe, com participação recorde nas urnas, reforça a importância desse voto e torna inviável ignorar seu impacto nas decisões políticas.
No entanto, o bloco de Netanyahu rejeita totalmente negociar com os partidos árabes. Durante a campanha, Eisenkot condicionou qualquer negociação a exigências como reconhecer Israel como Estado judeu e democrático, aceitar o serviço militar obrigatório e classificar o Hamas como organização terrorista, condições às quais Raam e Lista Conjunta não concordaram.
O Raam deve obter 6 cadeiras e a Lista Conjunta 11, aumento que quase dobra os 10 assentos anteriores. Yousef Jabareen, presidente da Lista Conjunta, destacou que o bloco de Eisenkot não está em posição de impor condições para negociações.
Apesar da divisão de opiniões sobre a participação dos partidos árabes, pesquisa da Universidade Hebraica de Jerusalém aponta que 61% dos israelenses aprovam incluir o Raam em um governo futuro, embora apenas esse partido não seja suficiente para formar uma coalizão.
O líder do partido Democratas, com previsão de 8 cadeiras, defende a união do bloco de Eisenkot com os árabes, argumentando contra a divisão racial promovida por Netanyahu. Por outro lado, líderes da linha-dura, como Avigdor Lieberman, que terá 7 deputados, resistem a essa aliança, aumentando a complexidade das negociações opositoras.
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