Jovens do movimento ‘Partido do Povo Barata’ promovem protestos em Mumbai e Nova Déli contra autoridade eleitoral da Índia
Milhares de manifestantes exigem renúncia do Comissário-Chefe eleitoral e reformas no sistema de votação indiano.
Milhares de jovens aderentes ao movimento político satírico Partido do Povo Barata (CJP) tomaram as ruas de Mumbai e Nova Déli neste fim de semana para exigir a renúncia do Comissário-Chefe da Comissão Eleitoral da Índia, Gyanesh Kumar, e reformas eleitorais antes das importantes eleições estaduais que se aproximam.
O CJP surgiu em maio após o presidente do Supremo Tribunal da Índia utilizar o termo “barata” para descrever jovens desempregados envolvidos em ativismo e jornalismo, o que provocou uma reação negativa. Posteriormente, o presidente da Corte esclareceu que a expressão se referia apenas a indivíduos com diplomas falsificados.
Contexto dos protestos e demandas
O movimento, liderado por integrantes da Geração Z, repudiou as declarações e desde então organizou manifestações cobrando mudanças tanto na educação quanto na condução eleitoral. Atualmente, o foco está na suposta manipulação das listas de eleitores, acusação que a Comissão Eleitoral nega, alegando que trata-se de uma atualização rotineira para eliminar eleitores falecidos, duplicados ou inelegíveis.
Além da pressão pela renúncia do Comissário-Chefe, o CJP uniu forças com partidos de oposição para mostrar descontentamento em relação aos procedimentos eleitorais vigentes.
Ações policiais e detenção de manifestantes
Durante os protestos, a polícia atuou com forte presença, bloqueando estradas e realizando detenções em massa. No sábado (10), aproximadamente 7 mil manifestantes foram detidos temporariamente em Déli, e outras centenas foram detidas no domingo (11).
Entre os detidos está Neha Bora, presidente da Associação de Estudantes da Índia, e Abhijeet Dipke, fundador do CJP, que foram liberados no domingo sob a condição de não provocarem distúrbios pelo período de um ano.
Dipke afirmou após sua soltura que o movimento não recuará ou se deixará intimidar e expressou críticas ao primeiro-ministro Narendra Modi.
Repercussão
Os protestos atingem um momento delicado na Índia, com eleições estaduais cruciais próximas. O movimento reflete a insatisfação de jovens com o sistema político e as recentes declarações da mais alta corte do país, mobilizando multidões com demandas claras por transparência e mudanças.