Israel vota eleição que pode tirar Netanyahu do poder
Netanyahu enfrenta eleições decisivas enquanto nenhum lado garante maioria para formar governo em Israel.
Israel realizou nesta terça-feira (27) as primeiras eleições gerais desde o início da guerra na Faixa de Gaza, momento que define o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O pleito elege os 120 deputados do Parlamento israelense, o Knesset, cuja maioria de 61 cadeiras é necessária para indicar o chefe de governo.
Pesquisas indicavam um empate técnico entre o partido de Netanyahu e o Yashar, sigla da oposição liderada por Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas. Nenhum dos dois blocos políticos tendia a alcançar os 61 assentos necessários para garantir o controle do Parlamento, gerando um cenário de instabilidade e possibilidade de novas eleições.
O atual governo de Netanyahu conta com aliados como o partido de extrema direita Otzma Yehudit, liderado por Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional e figura controversa. Apesar disso, a coalizão governista dificilmente chegaria à maioria necessária para a indicação do primeiro-ministro. Paralelamente, a oposição tampouco possuía números suficientes para formar uma coalizão majoritária.
Netanyahu apostou na narrativa bélica para conquistar votos, enfatizando a guerra contra o Irã e explorando a parceria com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, embora essa aliança tenha sido abalada por discordâncias recentes sobre ataques a Teerã. A campanha do premiê focou no argumento de que o conflito atual representa uma última oportunidade para Israel defender sua existência contra inimigos regionais.
No dia anterior à eleição, a imprensa local reportou que Netanyahu teria pressionado as Forças Armadas a aumentar a escalada contra o Irã para assegurar apoio político, informação que o gabinete do premiê negou oficialmente. A oposição acusou Netanyahu de colocar interesses pessoais acima da segurança nacional, solicitando que ele não ponha em risco a estabilidade regional para beneficiar sua sobrevivência política.
O histórico dos últimos anos revela um quadro de instabilidade política, com repetição de eleições e a formação de coalizões controversas, incluindo a parceria de Netanyahu com Ben-Gvir, que especialistas associam a tensões que contribuíram para a atual guerra na região. Enquanto isso, a população israelense permanece dividida entre críticas à condução da guerra pelo governo e apoio às ações do premiê para superar o momento mais crítico do país.
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