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Gadi Eisenkot recebe maioria para formar governo e desafiar Netanyahu em Israel

Ex-chefe do Exército e rival de Netanyahu, Eisenkot assume missão de formar coalizão após eleição inconclusiva em Israel.

O presidente de Israel, Isaac Herzog, escolheu Gadi Eisenkot, ex-chefe do Exército israelense e principal rival político do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, para tentar formar um novo governo após a eleição legislativa realizada em 27 de outubro de 2026, que terminou sem maioria clara para nenhum dos blocos no Knesset, Parlamento israelense.

Eisenkot, de 66 anos, recebeu 67 recomendações de partidos para tentar a formação da coalizão, contra 46 de Netanyahu, apesar de o Likud, partido de Netanyahu, ter sido a legenda com maior número de cadeiras — 27. O presidente Herzog tem a prerrogativa para fazer essa escolha, considerando quem tem mais chance de formar o governo, e deu a Eisenkot o prazo inicial de 28 dias, prorrogáveis por mais 14, para conseguir uma maioria parlamentar.

Recém-chegado à política, Eisenkot ingressou formalmente na vida política em 2022 pelo partido Unidade Nacional, do qual depois se afastou para fundar o partido centrista Yashar. Ele havia ocupado o cargo de chefe do Estado-Maior do Exército israelense até 2019, tendo comandado as Forças Armadas em momentos delicados de conflitos regionais.

A trajetória política de Eisenkot é marcada por desafios a Netanyahu. Após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, Eisenkot integrou o gabinete de guerra liderado por Netanyahu, mas deixou o grupo em junho de 2024 por discordâncias, principalmente sobre a condução da resposta militar e a gestão da libertação de reféns. Ele acusa Netanyahu de não agir com rapidez suficiente diante do sequestro de civis palestinos e israelenses, alegação rejeitada pelo primeiro-ministro.

A motivação pessoal é outro fator que marca Eisenkot. Seu filho caçula, o sargento-mestre Gal Eisenkot, morreu em dezembro de 2023 numa missão militar no norte de Gaza para recuperar restos mortais de reféns capturados pelo Hamas. Dois sobrinhos também faleceram em combate na mesma região. Essas perdas influenciaram a decisão de Eisenkot de buscar atuação política ativa.

Em sua campanha, Eisenkot manifestou posições firmes: promete eliminar o governo do Hamas em até 18 meses, não apoia a solução de dois Estados e defende redefinir as relações com a Autoridade Palestina, concedendo a ela autonomia para governar os 2,8 milhões de palestinos na Cisjordânia ocupada.

Além disso, apoia a expansão de blocos de assentamentos conforme a legislação israelense e rejeita planos polêmicos como a ampliação do assentamento E1 próximo a Jerusalém, devido à rejeição internacional. Também prometeu investigar as falhas do governo israelense na preparação para os ataques de outubro de 2023.

Na esfera interna, pretende implementar um serviço militar universal, incluindo para comunidades ultraortodoxas e árabes israelenses, e busca medidas para reter talentos no país e atrair novos imigrantes qualificados.

Nascido em Tiberíades, filho de imigrantes marroquinos da comunidade Mizrahi — formada por judeus do Oriente Médio e Norte da África — Eisenkot pode se tornar o primeiro premiê dessa origem social. Reconhecido por sua seriedade e perfil discreto, tem defendido uma postura dura contra o terrorismo, mantendo a doutrina que empregava como comandante militar para responder ataques com força contundente.

Enquanto isso, Netanyahu mantém críticas às estratégias de Eisenkot e aponta divergências sobre abordagens passadas no conflito. O processo de formação do governo agora depende das negociações que Eisenkot conduzirá para alcançar ou aproximar uma maioria parlamentar no Knesset, podendo incluir ou não alianças com partidos árabes, questão que enfrenta resistência política.

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