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Fed mantém juros entre 3,75% e 4% antes das eleições nos EUA

O Federal Reserve decidiu manter os juros estáveis enquanto os EUA se preparam para as eleições de meio de mandato.

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, anunciou nesta quarta-feira (28) a decisão de manter a taxa de juros na faixa entre 3,75% e 4% ao ano, em conformidade com as expectativas do mercado financeiro. Essa definição ocorre poucos dias antes das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, que decidirão o controle do Congresso norte-americano.

Em sua última reunião realizada em setembro, o Fed havia promovido um aumento de 0,25 ponto percentual, a primeira elevação dos juros em mais de três anos. Desde então, a escalada dos preços do petróleo, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, manteve o banco central preocupado com a inflação.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) destacou em seu comunicado que a atividade econômica do país continua a crescer com vigor e que os gastos domésticos têm mostrado resistência. O órgão ressaltou, contudo, que a incerteza permanece elevada, parcialmente em decorrência de acontecimentos geopolíticos.

Leia também: Dólar sobe a R$5,36 com decisão de juros dos EUA no radar

A decisão atual incorporou o duplo mandato do Fed, que é controlar a inflação e promover o máximo emprego possível. O comitê informou que novos indicadores econômicos serão fundamentais para orientar futuras decisões sobre a política de juros.

Desde o início do governo de Donald Trump, em janeiro de 2025, esta representa a 15ª decisão sobre taxa de juros. Ao longo desse período, os juros foram reduzidos quatro vezes antes de voltarem a subir em setembro, diante de um cenário marcado por desafios como o conflito entre os EUA e o Irã e a guerra tarifária promovida pelo governo republicano.

O controle da Câmara e do Senado nas eleições de meio de mandato pode influenciar significativamente a agenda do presidente Trump nos próximos dois anos. A pressão política é reforçada pela insatisfação popular com a economia e o custo elevado de vida, conforme indica uma pesquisa recente que revela que 73% dos americanos acreditam que o custo de vida está em trajetória negativa.

A inflação, medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI), ficou em 3,7% nos últimos 12 meses até setembro, acima da meta de 2% perseguida pelo Fed. O mercado de trabalho mostrou sinais de desaceleração, com a criação de 29 mil novas vagas em setembro, contra 133 mil em agosto, e uma leve alta na taxa de desemprego, que chegou a 4,2%.

A decisão do Fed lembrou que a inflação elevada continua sendo um fator limitante para a adoção de cortes nos juros, apesar das pressões políticas por taxas mais baixas.

Nesta reunião, a decisão não foi unânime. As integrantes Lisa Cook, diretora do Fed, e Beth Hammack, presidente do Federal Reserve de Cleveland, defenderam uma elevação de 0,25 ponto percentual na taxa básica.

Para o Brasil, a manutenção dos juros americanos em patamares elevados tende a fortalecer os títulos públicos dos Estados Unidos, tornando-os mais atraentes para investidores e aumentando o valor do dólar frente ao real. Essa dinâmica pode pressionar o Banco Central brasileiro a manter a taxa Selic em níveis altos para conter a inflação interna.

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