EUA enviam 600 soldados para América Latina em ampliação da ofensiva contra tráfico de drogas
Governo dos Estados Unidos inicia envio de militares ao Panamá, Colômbia e Honduras como parte de estratégia para combater cartéis na região.
Os Estados Unidos iniciaram o envio de cerca de 600 soldados para a América Latina, numa ação que amplia a ofensiva militar do governo de Donald Trump contra o tráfico de drogas na região. A informação foi divulgada pelo jornal New York Times nesta quinta-feira (15), com base em relatos de autoridades militares americanas que preferiram manter anonimato.
O grupo de militares participará de treinamentos e exercícios conjuntos com forças locais no Panamá, Colômbia e Honduras, em atividades inicialmente temporárias. Os primeiros soldados já começaram a ser deslocados para um centro de treinamento no Panamá e, depois, seguirão para a Colômbia, onde os exercícios estão programados para começar ainda em outubro. Outra parte do contingente será enviada para Honduras com o mesmo propósito.
Além das operações de treino, parte dos militares poderá apoiar forças de operações especiais dos Estados Unidos, que assessoram exércitos locais em ações contra suspeitos de tráfico de drogas. Essa movimentação pode se transformar em uma presença militar mais permanente na região, conforme o planejamento do Pentágono.
Paralelamente, foram transferidos drones MQ-9 Reaper da África para bases na Colômbia e no Equador, e criado um novo departamento no Departamento de Defesa americano para supervisionar as operações contra organizações criminosas naquela área.
A estratégia contempla ainda a possibilidade de expandir os ataques militares contra embarcações suspeitas de transportar drogas para operações em alvos terrestres. Conforme dados divulgados pelo Comando Sul dos EUA, 71 ataques marítimos foram realizados ao longo de aproximadamente um ano no Caribe e no Pacífico Oriental, resultando em pelo menos 239 mortos, indicados como envolvidos com o tráfico, embora não haja comprovação pública dessas acusações.
O governo dos Estados Unidos tem exigido que países latino-americanos intensifiquem suas ofensivas contra grupos ligados ao tráfico e autorizem operações conjuntas com as forças americanas.
Especialistas consultados pelo New York Times questionam a efetividade dessa abordagem, considerando que a eliminação de membros das organizações criminosas individuais tem impacto limitado sobre o funcionamento do tráfico de drogas. Organizações de direitos humanos alertam que a ampliação dos ataques para alvos terrestres pode aumentar o risco de vítimas civis.
Procurado, o Pentágono não comentou diretamente os recentes deslocamentos, mas afirmou seu compromisso com a colaboração e assistência a países aliados para combater ameaças na região.