Eleições nos EUA podem mudar relação Brasil-Trump
Votação define controle do Congresso americano e influenciará política entre EUA e Brasil após a reeleição de Lula.
Nesta terça-feira (3), os Estados Unidos realizam as eleições de meio de mandato que vão decidir as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado, além de governadores e outros cargos locais. Essa votação ocorre nove dias depois da reeleição do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pode influenciar fortemente o futuro das relações entre Brasil e EUA.
Pesquisas indicam que os democratas podem retomar o controle da Câmara e até do Senado, numa mudança política que afetaria a agenda do presidente Donald Trump para a América Latina. Atualmente, o Partido Republicano, de Trump, domina o Executivo e o Legislativo, o que permitiu avançar sem resistência suas políticas, incluindo imposição de tarifas a produtos brasileiros e sanções a autoridades brasileiras, em resposta a medidas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A relação entre os dois países permanece tensa, evidenciada pela revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, desde agosto. Lula, durante sua campanha, criticou as medidas americanas e defendeu a soberania brasileira.
Impactos para a política externa entre Brasil e EUA
Se os democratas assumirem o controle de uma ou ambas as Casas do Congresso americano, terão maior capacidade para fiscalizar e contestar as políticas de Trump na região. Isso incluiria um escrutínio rigoroso sobre tarifas impostas ao Brasil e a atuação dos EUA na América Latina, especialmente na questão da segurança e do combate ao narcotráfico, que envolveu medidas controversas como a designação de facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras.
Uma mudança no Legislativo poderia também resultar em investigações de operações militares realizadas na região e na política americana em países como a Venezuela, onde ações recentes tentaram capturar o presidente Nicolás Maduro, acusado de narcotráfico pelos EUA.
Além disso, o Legislativo controla o orçamento e poderá limitar os recursos para as políticas de Trump, além de exercer maior controle sobre indicações para cargos do gabinete, embaixadas e até para a Suprema Corte.
Contexto político interno dos EUA e futuro de Trump
Trump enfrenta queda de popularidade, com aprovação em torno de 31%, devido a preocupações com a economia, inflação, preços de combustíveis, política de imigração e acusações de corrupção. Muitos membros do seu próprio partido buscam distanciamento, enquanto os democratas avançam em territórios tradicionalmente republicanos.
Na eventualidade de uma vitória dos democratas, o presidente republicano poderá se tornar um ”pato manco”, denominando o enfraquecimento do poder presidencial nos anos finais do mandato. Apesar disso, ele mantém poder para vetar projetos e utilizar decretos presidenciais, o que pode dificultar o trabalho do Congresso opositor.
Desafios para o governo Lula
O presidente Lula terá o desafio de superar os atuais atritos diplomáticos e buscar uma relação equilibrada com um governo Trump possivelmente enfraquecido e um Congresso mais atento e fiscalizador. Ao mesmo tempo, precisará construir pontes com os novos atores políticos que se preparem para a eleição presidencial americana de 2028.
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