Pular para o conteúdo

Eleições dos EUA têm R$ 8 bilhões em apostas com dúvidas sobre previsões

Plataformas como Kalshi e Polymarket somam bilhões em apostas para as midterms dos EUA, mas enfrentam desafios de confiabilidade e risco de manipulação.

Mais de US$ 1,48 bilhão (cerca de R$ 7,3 bilhões, na cotação de 04/11), o equivalente a aproximadamente R$ 8,13 bilhões, já foram apostados nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms. As plataformas Kalshi e Polymarket lideram esse mercado de previsão, que tem ganhado importância após terem antecipado corretamente a vitória de Donald Trump em 2024, contrariando pesquisas tradicionais.

No entanto, a precisão dessas previsões tem sido questionada, sobretudo após erros notáveis em eleições primárias americanas e no pleito presidencial brasileiro, quando as plataformas chegaram a atribuir apenas 20% de chance de vitória a Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com dados da empresa de análise BetInt, as apostas indicam uma probabilidade de 94% para os democratas conquistarem a maioria na Câmara dos Deputados e 75% para manterem o controle do Senado. Mas, se o resultado das midterms se afastar dessas previsões, a reputação dos mercados poderá sofrer abalos significativos.

Leia também: Democratas devem conquistar maioria com mais de 230 cadeiras na Câmara

Além da questão da precisão, surgem preocupações quanto à integridade das apostas. Relatórios apontam para possíveis manipulações nos mercados, incluindo apostas feitas por candidatos em suas próprias campanhas. Algumas organizações indicam que apostas pequenas podem influenciar mudanças relevantes nas probabilidades estabelecidas.

Em resposta, as principais plataformas afirmam ter implementado controles rigorosos para evitar irregularidades. A Kalshi, por exemplo, proibiu a participação de políticos e membros de campanhas eleitorais nas apostas para manter a lisura do processo.

Estudos acadêmicos, como uma pesquisa da Universidade de Vanderbilt de 2025, mostram que os mercados de previsão são geralmente bem calibrados, ou seja, as probabilidades indicadas condizem com os desfechos reais. Vale destacar que esse conceito não se refere simplesmente a acertar o vencedor, mas sim a corresponder a frequência de eventos esperados pelas probabilidades.

Para explicar o funcionamento, especialistas apontam que um grupo restrito de apostadores experientes direciona a maior parte do dinheiro, baseando-se em pesquisas de opinião e outras informações para ajustar as probabilidades dos mercados. Contudo, mesmo esses operadores estão sujeitos a erros, especialmente em eleições disputadas mais acirradas.

Nas midterms, a concentração de apostas é alta em disputas específicas, como para o Senado no Texas, Michigan, Maine e Carolina do Sul. Por exemplo, no Texas, a indicação é de 71% de chance para o democrata James Talarico vencer o republicano Ken Paxton, com mais de US$ 60 milhões (cerca de R$ 297,9 milhões, na cotação de 04/11) apostados nessa corrida.

Apesar dos avanços, o futuro das plataformas de mercado de previsão dependerá da confiabilidade dos resultados nas eleições atuais, sua capacidade de evitar manipulações e da resposta do público e investidores frente a eventuais discrepâncias.

Tags: Apostas eleitoraisKalshiMidterms 2026Polymarketeleições EUAmercados de previsão

Comentários

Comentários exclusivos para quem tem conta

Entre na sua conta e seja o primeiro a comentar esta matéria.

Veja também