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Internacional

Economia da Argentina mostra crescimento com inflação em queda, mas avanço da pobreza e desemprego persiste

PIB argentino cresce no início de 2026, mas setores internos enfrentam desafios, enquanto pobreza e desemprego aumentam.

18/10/2026 às 23h01

A economia da Argentina registrou crescimento nos dois primeiros trimestres de 2026, com alta de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre e 2% no segundo, em comparação com os mesmos períodos do ano anterior, conforme dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Entretanto, esse avanço ocorre em um cenário de aumento da pobreza e do desemprego, além de dificuldades em setores importantes para a geração de empregos.

Ainda no segundo trimestre, o PIB recuou 0,6% em relação aos três meses anteriores, descontando efeitos sazonais, refletindo quedas de 2,4% no consumo privado, 2,3% no consumo público e 0,8% nos investimentos. A formação bruta de capital fixo, indicador de investimentos, diminuiu 11,1% na comparação anual.

Setores exportadores impulsionam crescimento

O crescimento econômico da Argentina tem sido puxado principalmente por setores ligados às exportações. No primeiro trimestre, agropecuária, pesca, mineração e serviços financeiros destacaram-se como principais motores da expansão, enquanto a indústria de transformação e o comércio varejista apresentaram retrações. No segundo trimestre, a pesca cresceu 44,7%, a mineração e extração de pedreiras avançaram 16,4%, e a agropecuária teve alta de 6,9%. As exportações de bens e serviços cresceram 13,7%, enquanto as importações caíram 8,6%.

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Em contrapartida, segmentos dependentes do mercado interno, como a indústria manufatureira, recuaram 2,1%, evidenciando uma recuperação econômica desigual, com dificuldades no consumo interno, indústria e investimentos.

Mercado de trabalho e desafios para empresas

A taxa de desemprego alcançou 7,9% no segundo trimestre de 2026, frente a 7,6% no mesmo período do ano anterior, com cerca de 1,8 milhão de desempregados nas áreas urbanas acompanhadas pelo Indec. Além disso, aproximadamente metade da população economicamente ativa trabalha na informalidade, sem registro formal.

O número de empregadores com pelo menos um funcionário registrado caiu 6,3% entre novembro de 2023 e julho de 2026, totalizando uma redução de 32.290 empregadores. Essa queda, que marca o 18º mês consecutivo de retração, indica que, apesar da retomada econômica em alguns setores, o consumo enfraquecido, elevados custos de energia e condições de financiamento têm pressionado principalmente as pequenas e médias empresas.

A abertura maior para importações intensificou a pressão sobre a produção local, com aumento de 34,7% nas compras externas de bens de consumo no primeiro semestre de 2026, enquanto a produção industrial caiu 12% em igual período. Custos elevados e endividamento das famílias também limitam o consumo e o desempenho das empresas argentinas, segundo entidades do setor.

Assim, apesar da inflação significativamente menor do que nos anos anteriores, a Argentina enfrenta um quadro econômico desafiante no qual a estabilização da economia ainda não se traduziu em melhora contínua das condições de vida para grande parte da população.

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