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Democratas vencem e impeachment de Trump é improvável

Com maioria na Câmara e Senado, Democratas podem abrir processo contra Trump, mas afastamento no Senado exige apoio de dois terços, cenário difícil.

Democratas conquistaram a maioria na Câmara dos Deputados e no Senado dos Estados Unidos nas eleições legislativas de meio de mandato em 2026, cenário que aumenta a possibilidade de abertura de um novo processo de impeachment contra o presidente Donald Trump. No entanto, especialistas consultados pelo g1 consideram o afastamento do presidente altamente improvável.

Durante seu primeiro mandato, entre janeiro de 2017 e janeiro de 2021, Trump já enfrentou dois processos de impeachment na Câmara dos Representantes, mas foi absolvido no Senado e continuou no cargo. Agora, com o Congresso controlado pela oposição democrata, uma nova denúncia na Câmara até poderia ser apresentada.

Porém, para que o presidente seja afastado, o Senado precisa aprovar a condenação com maioria qualificada de dois terços, o que corresponde a 67 votos entre os 100 senadores. Na projeção mais favorável ao Partido Democrata, eles têm 53 cadeiras, insuficiente para alcançar esse patamar sem apoio de republicanos.

O cientista político Carlos Gustavo Poggio, professor no Kentucky, comentou que para o impeachment avançar efetivamente seria necessário um cenário de crise profunda e queda acentuada da popularidade do presidente, situação que ele avalia como distante.

O cientista político Maurício Santoro, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), também destaca que a remoção de Trump demandaria apoio significativo de senadores republicanos, o que historicamente é difícil, pois nenhum presidente americano sofreu afastamento pelo Senado até hoje.

Processo de impeachment nos Estados Unidos

O impeachment nos EUA é dividido em duas etapas. A Câmara dos Representantes vota os artigos de impeachment, ou seja, as acusações contra o presidente. Caso seja aprovada maioria simples, o presidente é formalmente acusado, mas não é afastado do cargo nessa fase.

O processo segue para o Senado, que realiza o julgamento. Para condenar e remover o presidente, é necessária a aprovação de dois terços dos senadores presentes. Caso contrário, o acusado permanece no cargo.

Casos históricos

Andrew Johnson, Bill Clinton e Donald Trump enfrentaram processos de impeachment pela Câmara, sendo absolvidos no Senado. O ex-presidente Richard Nixon renunciou antes da formalização do impeachment devido ao escândalo Watergate.

A experiência mostra que, mesmo com acusações aprovadas pela Câmara, a destituição pelo Senado é complexa e rara.

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