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Democratas ganham maioria nos EUA e avaliam investigações sobre Flávio Bolsonaro

Especialistas indicam que Congresso dos EUA pode investigar e pressionar, mas expulsão de Flávio Bolsonaro depende do Executivo.

Senador Flávio Bolsonaro (PL), fala com jornalistas após ser derrotado no segundo turno das eleições pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Senador Flávio Bolsonaro (PL), fala com jornalistas após ser derrotado no segundo turno das eleições pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foto: Joédson Alves/Agência Brasil.

O Partido Democrata dos Estados Unidos conquistou a maioria na Câmara dos Deputados e no Senado nas eleições de meio de mandato, as chamadas midterms. Essa vitória pode influenciar a situação do senador brasileiro Flávio Bolsonaro, que chegou recentemente aos EUA após deixar o Brasil.

Nas redes sociais brasileiras, houve pedidos para que democratas atuem pela deportação do senador, mas especialistas consultados pelo g1 explicam que essa decisão não cabe ao Legislativo norte-americano. A deportação e a permanência de estrangeiros no país são incumbências do Executivo, em órgãos como o Departamento de Estado e o Departamento de Segurança Interna (DHS), ambos sob o governo do presidente Donald Trump.

Investigações e pressão política

Mesmo sem poder ordenar a deportação, o Congresso pode abrir investigações sobre eventual favorecimento do governo Trump à entrada e permanência de Flávio Bolsonaro e sua família nos EUA. Uma comissão parlamentar poderia apurar a concessão de vistos e o tratamento dado pelo Executivo ao senador.

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Essa ação poderia aumentar a pressão política sobre Trump e influenciar decisões das autoridades responsáveis pela situação migratória do brasileiro, embora não garanta sua saída do país. Documentos confidenciais e sigilos podem limitar o acesso parlamentar a informações sobre vistos.

Deportação e expulsão: diferenças importantes

O professor Vitelio Brustolin, da Universidade Federal Fluminense, detalha que a revogação do visto não obriga a saída automática do país. Já a deportação é um processo legal para retirada obrigatória, e a expulsão também implica saída conforme regras migratórias.

Assim, mesmo que democratas consigam maioria no Congresso, não significa que poderão deportar Flávio Bolsonaro diretamente, pois essa é uma atribuição do Executivo.

Prioridades dos democratas após as midterms

Especialistas indicam que, apesar de possível interesse em investigar o caso do senador brasileiro, isso dificilmente será prioridade para os democratas. A atenção provavelmente estará em questões internas dos EUA, como o custo de vida, política econômica e estratégias para a eleição presidencial de 2028.

Um dos principais focos pode ser limitar ações de Trump e preparar a oposição para as eleições presidenciais futuras, em vez de direcionar esforços ao caso Flávio Bolsonaro.

Reação inicial dos democratas

Após a chegada do senador, um grupo de 25 democratas da Câmara enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, solicitando esclarecimentos sobre a atuação do governo Trump no processo de fuga e obtenção de vistos para Flávio Bolsonaro e sua família. O pedido destaca uma preocupação política, mas o tema permanece secundário no debate eleitoral.

Segundo o coordenador Tomaz Paoliello, o assunto não tem grande peso eleitoral neste momento, pois as midterms são focadas principalmente em temas domésticos dos EUA.

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