Democratas ganham maioria nos EUA e avaliam investigações sobre Flávio Bolsonaro
Especialistas indicam que Congresso dos EUA pode investigar e pressionar, mas expulsão de Flávio Bolsonaro depende do Executivo.
O Partido Democrata dos Estados Unidos conquistou a maioria na Câmara dos Deputados e no Senado nas eleições de meio de mandato, as chamadas midterms. Essa vitória pode influenciar a situação do senador brasileiro Flávio Bolsonaro, que chegou recentemente aos EUA após deixar o Brasil.
Nas redes sociais brasileiras, houve pedidos para que democratas atuem pela deportação do senador, mas especialistas consultados pelo g1 explicam que essa decisão não cabe ao Legislativo norte-americano. A deportação e a permanência de estrangeiros no país são incumbências do Executivo, em órgãos como o Departamento de Estado e o Departamento de Segurança Interna (DHS), ambos sob o governo do presidente Donald Trump.
Investigações e pressão política
Mesmo sem poder ordenar a deportação, o Congresso pode abrir investigações sobre eventual favorecimento do governo Trump à entrada e permanência de Flávio Bolsonaro e sua família nos EUA. Uma comissão parlamentar poderia apurar a concessão de vistos e o tratamento dado pelo Executivo ao senador.
Essa ação poderia aumentar a pressão política sobre Trump e influenciar decisões das autoridades responsáveis pela situação migratória do brasileiro, embora não garanta sua saída do país. Documentos confidenciais e sigilos podem limitar o acesso parlamentar a informações sobre vistos.
Deportação e expulsão: diferenças importantes
O professor Vitelio Brustolin, da Universidade Federal Fluminense, detalha que a revogação do visto não obriga a saída automática do país. Já a deportação é um processo legal para retirada obrigatória, e a expulsão também implica saída conforme regras migratórias.
Assim, mesmo que democratas consigam maioria no Congresso, não significa que poderão deportar Flávio Bolsonaro diretamente, pois essa é uma atribuição do Executivo.
Prioridades dos democratas após as midterms
Especialistas indicam que, apesar de possível interesse em investigar o caso do senador brasileiro, isso dificilmente será prioridade para os democratas. A atenção provavelmente estará em questões internas dos EUA, como o custo de vida, política econômica e estratégias para a eleição presidencial de 2028.
Um dos principais focos pode ser limitar ações de Trump e preparar a oposição para as eleições presidenciais futuras, em vez de direcionar esforços ao caso Flávio Bolsonaro.
Reação inicial dos democratas
Após a chegada do senador, um grupo de 25 democratas da Câmara enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, solicitando esclarecimentos sobre a atuação do governo Trump no processo de fuga e obtenção de vistos para Flávio Bolsonaro e sua família. O pedido destaca uma preocupação política, mas o tema permanece secundário no debate eleitoral.
Segundo o coordenador Tomaz Paoliello, o assunto não tem grande peso eleitoral neste momento, pois as midterms são focadas principalmente em temas domésticos dos EUA.
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