Ataques aéreos russos matam sete na Ucrânia enquanto Zelensky busca apoio internacional em Oslo
Ofensiva russa provoca mortes e apagões em 12 regiões ucranianas; Zelensky discute ajuda dos EUA e Europa na Noruega.
A Ucrânia sofreu nesta terça-feira (20) uma nova ofensiva dos russos com mísseis e drones que resultou em pelo menos sete mortes e apagões em 12 regiões do país. Os ataques atingiram áreas civis enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, estava em Oslo buscando reforçar o apoio dos Estados Unidos e países europeus frente à guerra em curso.
Zelensky compareceu a reuniões com autoridades americanas e europeias, entre eles o enviado dos EUA Steve Witkoff, que junto com Jared Kushner tentou sem sucesso mediar um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia. Kushner participou remotamente da conversa. Também estavam previstos encontros com o primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Støre e o presidente finlandês Alexander Stubb na capital norueguesa.
Enquanto isso, um porta-voz russo declarou esperar organizar em breve uma reunião na Rússia com enviados americanos, ressaltando a importância próxima dos encontros com o presidente Vladimir Putin e os negociadores dos EUA.
Conversa tensa entre Zelensky e autoridades dos EUA
O presidente ucraniano relatou ter conversado com o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio durante a visita, em sequência a declarações em que criticou o que classificou como diminuição do apoio político dos Estados Unidos. Zelensky afirmou que a Ucrânia está quase sem interceptadores de mísseis Patriot, essenciais para defesa contra ataques russos, e que houve atrasos no envio de armamentos prometidos.
Ele também pediu a continuidade do compartilhamento de informações de inteligência vitais, já que falhas recentes impactaram a recepção de alertas sobre ataques com mísseis russos. Zelensky destacou ainda que restrições no uso do serviço militar de internet via satélite da SpaceX na Ucrânia têm prejudicado operações militares.
Além disso, o presidente ucraniano criticou a suspensão de sanções contra a Rússia promovida pela gestão Donald Trump, classificada como facilitadora da invasão russa que se prolonga e completará cinco anos em fevereiro.
Europa intensifica apoio financeiro e militar à Ucrânia
Como parte da resistência ucraniana à ofensiva russa, países europeos e a União Europeia destinaram 237 bilhões de euros (equivalentes a 266 bilhões de dólares) em ajuda, superando os 115 bilhões de euros (129 bilhões de dólares) fornecidos pelos Estados Unidos, conforme dados do Instituto Kiel, da Alemanha.
A chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, questionou a imparcialidade dos negociadores americanos, citando pressão do governo Trump para que Kiev cedesse territórios à Rússia em troca de paz. Ela afirmou que, enquanto a Ucrânia deseja pacificação num contexto de bombardeios que já duram quatro anos, a Rússia seria a única parte que não deseja o fim do conflito.
Consequências dos ataques russos na Ucrânia
Em 24 horas, ataques russos causaram a morte de quatro pessoas e ferimentos em 27, entre elas crianças, só na região de Kiev, onde milícias relataram danos materiais em armazéns e centenas de prédios. No distrito de Obukhiv, foram três mortes e seis feridos, e em Bucha uma mulher morreu e 21 pessoas ficaram feridas.
Na manhã desta terça-feira, outros três falecimentos e quatro feridos ocorreram num ataque na rodovia Kiev-Odesa, que atingiu veículos incluindo um ônibus de transporte cujo motorista faleceu.
Além das perdas humanas, a rede elétrica sofreu interrupções causadas pelos ataques em doze regiões, e o Ministério da Defesa russo informou que seus drones atacaram centros logísticos e navios no porto de Reni, em Odesa, além de alvejarem um navio a caminho do porto.
Em resposta, as defesas russas afirmaram interceptar 136 drones ucranianos em várias regiões da Rússia, e um incêndio atingiu uma instalação industrial na região de Tambov como consequência de ataques.