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Operação IFRIT desarticula esquema familiar de tráfico com armas e drogas

Polícia Federal investiga organização criminosa comandada por irmãos e com ajuda de policiais em Mato Grosso do Sul.

Família comandava esquema de tráfico com armas pesadas, blindados e rota para a Europa
Família comandava esquema de tráfico com armas pesadas, blindados e rota para a Europa — Foto: Receita Federal/ Polícia Federal

A Polícia Federal (PF) e a Receita Federal deflagraram nesta quarta-feira (4) a Operação IFRIT, que mira uma organização criminosa familiar envolvida no tráfico internacional de drogas e armas pesadas. O grupo, liderado por três irmãos, utilizava a fronteira de Mato Grosso do Sul para acessar o Brasil e abastecer estados do país e o mercado europeu, especialmente Espanha e Portugal.

A investigação aponta que o esquema contava com blindados, drones, armamento de alto poder ofensivo e colaboração de policiais de elite, além da movimentação financeira estimada em mais de R$ 500 milhões em cerca de dois anos.

Estrutura da quadrilha e atuação

A organização tinha divisão de tarefas claras, com membros responsáveis por finanças, transporte, logística e segurança. As drogas e armas eram adquiridas principalmente na Bolívia, Paraguai e Peru e entravam no Brasil pela faixa de fronteira em Mato Grosso do Sul.

Leia também: PF detalha esquema com aviões e pistas clandestinas para tráfico no RS

Além de abastecer estados como São Paulo, Paraná e Santa Catarina, parte dos entorpecentes era destinada à Europa, com estrutura logística especializada para armazenamento e transporte internacional.

Apoio de policiais e desvios na polícia

Entre os alvos da operação está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, ex-chefe da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e do Grupo de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), em Campo Grande. Ele é suspeito de integrar a liderança da organização e de desviar cerca de duas toneladas de cocaína apreendida, substituindo por droga adulterada para revenda.

O delegado teria obtido, em dois anos, pelo menos R$ 15 milhões com a venda da droga desviada, valores que bancaram bens como uma mansão em condomínio de luxo e um sítio em Goiás. Em setembro, ele já havia sido preso em outra operação pelo mesmo tipo de suspeita.

Outro policial civil, Douglas Tobias, que também foi preso em setembro pela Operação Infiltrados, também foi alvo nesta nova ação, mas sua defesa nega irregularidades.

Esquema financeiro e alcance nacional

Para esconder os recursos, o grupo usava empresas fictícias, contas bancárias de terceiros e operadores financeiros, dificultando o rastreamento do dinheiro ilícito.

As investigações indicam que o esquema está estável e em atividade desde pelo menos 2018. A Operação IFRIT cumpre 76 mandados de busca e apreensão em sete estados do país, contando com o apoio de 450 policiais federais e diversos auditores e analistas da Receita Federal.

Tags: Armas PesadasMato Grosso do SulOperação IFRITPolícia FederalTráfico de Drogas

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