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Listas de boicote a igrejas e comércios circulam no ES

Após a reeleição de Lula, listas sugerindo boicote a estabelecimentos e instituições do ES vêm gerando repercussão e reações diversas.

1 de 4 Lojas e restaurantes estão em lista que sugere boicote até de igrejas no Espírito Santo após eleição de Lula
1 de 4 Lojas e restaurantes estão em lista que sugere boicote até de igrejas no Espírito Santo após eleição de Lula — Foto: Reprodução

Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo (25) no Espírito Santo, diversas listas que indicam o boicote a comércios, profissionais e até instituições religiosas passaram a ser compartilhadas nas redes sociais do estado.

Essas listas abrangem nomes variados, incluindo restaurantes, boutiques, lojas de materiais de construção, professores, camelôs, bancos, influenciadores digitais e filiais de grandes marcas nacionais como Magalu, Natura e Renner. O objetivo apontado é punir aqueles considerados alinhados politicamente com Lula.

Em Baixo Guandu, o padre Oliveiro Felismino Rodrigues pediu durante uma missa que os fiéis repensassem seu voto, provocando reações distintas e dividindo opiniões sobre a intervenção da Igreja em temas políticos. A fala do padre criticou a aproximação do ex-presidente Jair Bolsonaro com líderes religiosos ligados à Igreja Universal, apontando desrespeito à fé católica e à Virgem Maria.

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Em resposta, a Comunidade Nossa Senhora Aparecida afirmou que o altar deve ser utilizado apenas para fins religiosos, sem manifestações político-partidárias, ressaltando que a missão da Igreja é promover a união e não dividir politicamente os fiéis. A Diocese de Colatina, responsável pela paróquia, não se pronunciou até a publicação desta matéria.

No município de Cachoeiro de Itapemirim, representantes da Igreja Católica, incluindo o arcebispo Dom Luiz Fernando Lisboa, divulgaram um vídeo convocando os fiéis a defenderem a democracia, os direitos humanos e os pobres por meio do voto. O vídeo criticou um dos candidatos, referindo-se a viagens aos Estados Unidos e posições contrárias a programas sociais e ambientais. Em seguida, a comissão local da Igreja publicou nota de apoio ao arcebispo, rejeitando acusações de que as manifestações seriam propaganda partidária.

Além das igrejas, diversas empresas, marcas e profissionais comerciais foram alvo de tentativas de boicote. Em Vitória, a mercearia Belmiro, localizada no bairro Praia do Canto, foi incluída em listas que reapareceram com nomes de estabelecimentos com suposta inclinação política. O proprietário, Helder Belmiro, afirmou que o comércio é apartidário e que ainda não se sabe quem são os responsáveis pelas listas.

Empresários como Luiz Guidoni, da loja de calçados Amabilis em Colatina e Vitória, acionaram seus departamentos jurídicos para combater difamações e rotulações injustas. Em Cachoeiro de Itapemirim, uma lista que circula desde 2022 ressurgiu, incluindo até comércios já fechados. O tatuador Otávio Guimarães, citado na lista, afirmou que o impacto em seu trabalho foi mínimo devido ao público mais aberto com o qual lida.

Esses episódios reforçam a polarização política no Espírito Santo após as eleições e levantam discussões sobre o espaço da religião na política, a neutralidade comercial e os impactos sociais da polarização eleitoral no estado.

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