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Estudo da Ufes detecta peixes contaminados na bacia do Rio Doce após 11 anos

Pesquisa da Ufes identifica alterações em peixes e ecossistemas aquáticos na bacia do Rio Doce uma década após o rompimento da barragem.

Após 11 anos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), pesquisas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) continuam detectando alterações ambientais na bacia do Rio Doce. O estudo constatou peixes com tumores, deformidades e a presença de contaminantes acima dos limites estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em algumas amostras analisadas.

Apesar da redução gradual dos índices de contaminação na água, sedimentos e peixes, as condições ambientais ainda pioram em períodos de chuvas intensas, segundo o monitoramento realizado pela Ufes.

Anomalias nos peixes e níveis de metais pesados

A pesquisa identificou deformidades em larvas, ovos inviáveis e alterações no desenvolvimento inicial dos peixes, principalmente no trato digestório e na cabeça. Entre os peixes analisados, alguns exemplares apresentaram níveis de chumbo acima do limite da Anvisa de 0,30 mg/kg. Um linguado, por exemplo, tinha 0,726 mg/kg do metal, analisado pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Por outro lado, duas corvinas analisadas apresentaram concentrações dentro dos limites permitidos para arsênio, cádmio, mercúrio e chumbo.

No pescado de água doce, quatro amostras de acará e pacu apresentaram concentração de cádmio acima do limite máximo tolerado, com a maior atingindo 0,063 mg/kg. Essas amostras correspondem a cerca de 1,2% do conjunto analisado e indicam que estes peixes não devem ser destinados ao consumo humano, conforme avaliação técnica da Anvisa.

Retorno da pesca e segurança do consumo

Recentemente, uma portaria conjunta dos ministérios da Pesca e Aquicultura e do Meio Ambiente restabeleceu as regras para o retorno da pesca profissional em trecho do mar próximo à foz do Rio Doce, atividade que havia sido proibida por mais de uma década. A avaliação da Anvisa, porém, reforça que o monitoramento não indica, neste momento, preocupação à saúde relacionada ao consumo dos pescados, embora os estudos não tenham sido direcionados especificamente a peixes de tamanho comercial.

A Ufes destaca a importância da continuidade do monitoramento ambiental para acompanhar a recuperação dos ecossistemas e as possíveis alterações persistentes. Também informa que pretende incluir peixes de interesse comercial em futuros ciclos de análise para ampliar o conhecimento sobre os riscos do consumo humano desses pescados.

Impactos ambientais e relatos de pescadores

Pescadores que atuam na região relatam encontrar peixes e outros animais aquáticos com deformidades e sinais de doenças, como tartarugas com úlceras e ostras cobertas por lama. Eles também apontam que a qualidade ambiental da região não se assemelha àquela anterior ao desastre.

No desastre que ocorreu em 2015, aproximadamente 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério da Samarco atingiram o Rio Doce, causando um impacto ambiental significativo no Espírito Santo e Minas Gerais.

Ações de reparação e monitoramento

A Samarco, empresa responsável pelo rompimento da barragem, afirma manter ações de monitoramento sistemático da qualidade da água, sedimentos e fauna aquática na bacia do Rio Doce. Desde 2018, os investimentos em pesquisa e monitoramento na região somam cerca de R$ 800 milhões, incluindo a proteção de nascentes e áreas reflorestadas.

A Vale, acionista da Samarco, reafirmou seu compromisso com a reparação integral dos danos causados pelo desastre, conforme acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal em 2024.

Tags: Rio DoceUfescontaminação ambientaldesastre de Marianapesca

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