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Economia

Ri Happy busca recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas

Grupo Ri Happy, que inclui PBKids, entrou com pedido para reestruturar dívida de mais de R$ 827 milhões.

19/10/2026 às 12h21
1 de 1 Loja da Ri Happy
1 de 1 Loja da Ri Happy — Foto: Divulgação

A Ri Happy e outras cinco empresas vinculadas ao grupo protocolaram na Justiça de São Paulo, no dia 18 de outubro de 2026, um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas que totalizam R$ 827,4 milhões. O processo judicial inclui, entre as companhias, a rede de brinquedos PBKids, e estava aguardando decisão em 19 de outubro.

Do valor global das dívidas envolvidas, representantes de credores que somam R$ 308,8 milhões, o equivalente a 42,38%, já manifestaram adesão ao plano de renegociação. A iniciativa integra um esforço de reestruturação financeira e operacional que teve início após a aquisição do grupo pela BluSun Capital Partners, formalizada em 31 de agosto deste ano.

Em comunicado, a empresa explicou que, apesar do pedido judicial, as operações comerciais, tanto nas lojas físicas quanto nos canais digitais, continuam normalmente, inclusive com foco nas campanhas da Black Friday e do Natal.

Dificuldades financeiras e fatores externos

O documento submetido à Justiça atribui as dificuldades financeiras a fatores múltiplos, destacando os impactos da pandemia de Covid-19, que resultou no fechamento de lojas e shoppings, prejudicando o faturamento do grupo. Além disso, o aumento dos juros encareceu o custo das dívidas bancárias, e a queda no poder aquisitivo dos consumidores afetou as vendas no varejo.

Outro aspecto mencionado foi o insucesso da renegociação de dívidas bancárias realizada em 2023, que envolveu cerca de R$ 292 milhões. De acordo com a empresa, a recuperação econômica esperada após essa renegociação não se concretizou nos anos subsequentes.

O grupo também apontou a concorrência acirrada de plataformas internacionais de comércio eletrônico, que oferecem produtos a preços inferiores, pressionando os resultados financeiros. No documento, o elevado peso dos impostos incidentes sobre produtos vendidos por empresas brasileiras é destacado como um diferencial e desvantagem agregada para o varejo nacional.

Estrutura e ações da empresa

O Grupo Ri Happy contabiliza mais de 2.600 funcionários e opera cerca de 292 unidades entre lojas próprias das marcas Ri Happy e PBKids, além de franquias. O processo também informa o encerramento formal de filiais em cidades paulistas como Limeira, São Caetano do Sul, Taboão da Serra, Taubaté e na capital São Paulo.

Após a aquisição pelo fundo BluSun Capital Partners, liderado por Héctor Nuñez como CEO, a nova gestão anunciou medidas para melhorar a liquidez, reduzir custos e reorganizar a estrutura de capital da empresa. Mudanças nas equipes corporativas, planos para transferência de sede, aprimoramento do desempenho dos canais físicos e digitais, e fortalecimento das relações com parceiros comerciais foram declarados como prioridades.

Contexto do setor

A Ri Happy é a segunda importante companhia do setor de brinquedos a recorrer à Justiça para tentar reorganizar suas finanças. Em maio de 2026, a fabricante Estrela entrou com pedido de recuperação judicial, apontando causas similares, como juros elevados, dificuldade de empréstimos e transformação nos hábitos de consumo, especialmente o aumento da competição com o entretenimento digital.

Segundo especialistas jurídicos, o sucesso da recuperação da Ri Happy dependerá da capacidade de alinhar os pagamentos das dívidas ao fluxo de recursos gerado pela operação e da gestão eficiente dos custos e prazos envolvidos.

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