Marcas de moda rápida planejam substituir modelos por IA
Indústrias da moda rápida têm adotado modelos virtuais gerados por inteligência artificial para cortar custos e acelerar produção.
Grandes marcas da indústria da moda estão adotando imagens digitais geradas por inteligência artificial (IA) para substituir sessões fotográficas tradicionais com modelos humanos. Essa transição já é realidade para empresas como a Mango e a Zalando, que utilizaram modelos virtuais para reduzir custos em mais de 90% e acelerar a produção de conteúdo para lojas on-line.
Segundo entrevistas e análises de contratos confidenciais realizados pela Reuters com diretores de agências e marcas como Diesel, Calvin Klein e L'Oréal, o uso de IA pode modificar imagens de modelos reais ou empregar avatares inteiramente artificiais. Essas práticas ampliam o uso das imagens sem pagamento extra aos profissionais, gerando preocupação quanto ao risco de substituição definitiva dos modelos humanos e à perda significativa de renda na profissão.
Cláusulas contratuais ampliam uso de IA sem remuneração adicional
Os contratos analisados mostram cláusulas que autorizam o uso de imagens para treinar ferramentas de inteligência artificial, bem como a alteração de características faciais e corporais dos modelos, inclusive trocando rostos entre participantes ou sobrepondo-os a outros corpos. Algumas dessas cláusulas são redigidas de forma abrangente, o que gera insegurança jurídica sobre os direitos dos modelos e a extensão do uso das suas imagens.
A consultora Melanie Howard, especialista em contratos de marcas de luxo, alerta que expressões como "incluindo" ou "não se limitando a" presentes nos acordos podem ampliar significativamente os direitos concedidos, tornando a aplicação dos contratos mais ambígua e potencialmente prejudicial aos profissionais.
Setor de moda rápida lidera adoção de modelos gerados por IA
Além da Mango e da Zalando, que fecharam estúdios fotográficos após adotarem largura o uso da tecnologia, a About You lançou uma divisão específica para produzir imagens digitais para outras marcas, prometendo uma redução de gastos e maior agilidade em relação aos métodos tradicionais.
Por outro lado, marcas do segmento de luxo têm avançado com mais cautela. A Moncler testou uma campanha com IA em 2023, mas atualmente não utiliza modelos virtuais em suas comunicações oficiais, enquanto a Gucci causou debates ao divulgar imagens geradas por IA em 2026.
Falta de regulamentação preocupa agentes e modelos
Com a rápida evolução da tecnologia, as leis têm ficado defasadas na proteção dos direitos dos modelos. Uma exceção é a Lei dos Trabalhadores da Moda do estado de Nova York, em vigor desde 2025, que exige consentimento explícito para criação ou modificação de réplicas digitais.
No Reino Unido, a Associação Britânica de Agentes de Modelos propôs um código de conduta que requer o consentimento do profissional para o uso de IA e a titularidade do seu gêmeo digital, medidas ainda não obrigatórias juridicamente.
Especialistas recomendam a criação de legislações semelhantes em outras regiões para garantir os direitos e a renda dos profissionais diante das mudanças trazidas pela inteligência artificial.
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