Ibovespa cai 14% e especialistas recomendam cautela
Queda histórica no Ibovespa levanta dúvidas sobre oportunidade de compra diante de riscos fiscais e juros altos.
O Ibovespa teve uma forte queda de 13,88% nesta segunda-feira (26), chegando a 176.608 pontos, o maior recuo diário desde março de 2020, época inicial da pandemia de Covid-19. Essa queda resultou em uma perda de R$ 734 bilhões no valor de mercado da bolsa brasileira, conforme levantamento da Elos Ayta, um montante equivalente quase ao valor da Petrobras, estimado em R$ 746 bilhões.
O movimento ocorreu logo após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a reação do mercado refletiu a surpresa de investidores que esperavam uma mudança para um governo de centro-direita. Em outubro, cerca de R$ 21,5 bilhões foram retirados da bolsa, o que intensificou a pressão para baixo nos preços das ações.
Compra de ações: não há consenso sobre momento ideal
Segundo especialistas consultados pelo g1, a queda expressiva no preço das ações não caracteriza automaticamente uma oportunidade de compra. A decisão de investir deve considerar a saúde financeira das empresas, capacidade de geração de resultados e dívidas pendentes.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, observa que preços baixos nem sempre indicam perda de potencial das companhias. Ela destaca a importância de comparar valores de mercado com a performance possível e adverte que, em cenários econômicos com incertezas, os investidores demandam maiores compensações pelo risco assumido.
Setores e empresas recomendados para quem quer cautela
O banco BTG Pactual recomenda prudência e sugere foco em empresas exportadoras, que recebem parte significativa de suas receitas em moeda estrangeira, o que pode ser vantajoso diante da expectativa de um real mais fraco. Entre essas destacam-se Vale, Embraer, Gerdau, Suzano, PRIO, SLC Agrícola, 3Tentos, São Martinho e WEG.
Além disso, o BTG destaca ações defensivas menos endividadas, que tendem a suportar melhor períodos de juros altos. Nesse grupo estão Petrobras e Itaú Unibanco, empresas consideradas resilientes frente a cenários adversos por sua solidez financeira e capacidade de dividendos.
Juros elevados e cenário fiscal formam riscos persistentes
O contexto de juros altos no Brasil encarece empréstimos e pressiona a saúde financeira das companhias, dificultando investimentos e expansão. A situação fiscal do país também é vista como um fator-chave, que pode influenciar a confiança dos investidores e o desempenho do mercado.
Alberto Ramos, chefe da equipe de Pesquisa Econômica para América Latina do Goldman Sachs, reforça que as expectativas estão focadas nas medidas econômicas adotadas pelo novo governo, especialmente a escolha do ministro da Fazenda e a apresentação de um plano para equilíbrio fiscal nos próximos quatro anos.
A composição do Congresso Nacional, com o Partido Liberal (PL) detendo a maior bancada na Câmara e no Senado, pode representar desafios às articulações políticas do governo para aprovação de medidas econômicas.
Perspectivas para o mercado
Em meio à volatilidade, os especialistas recomendam analisar individualmente cada papel e monitorar os desdobramentos políticos e econômicos. A cautela é importante diante da possibilidade de novas quedas, mas empresas exportadoras e defensivas podem apresentar melhor desempenho relativo.



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