Hackers roubam R$ 31,3 bilhões da Binance e reabrem debate sobre seguro
Entenda como funcionam os seguros para criptomoedas e por que nem sempre cobrem todo o valor roubado em ataques hackers.
O roubo de US$ 6,3 bilhões (R$ 31,3 bilhões na cotação de hoje) em criptomoedas da Binance, maior corretora do mundo, reacendeu o debate sobre a proteção jurídica e financeira desses ativos. A cobertura contra esse tipo de ataque depende das apólices contratadas, dos métodos usados pelos hackers e das exclusões previstas nos contratos de seguro.
O seguro de ativos digitais é um conjunto de apólices desenhadas para proteger corretoras, custodiante e empresas do mercado cripto contra perdas causadas por roubos, falhas tecnológicas e ataques cibernéticos. Ele considera as especificidades das criptomoedas e da tecnologia blockchain, que registra e valida transações digitais.
Essa proteção pode cobrir o furto ou perda de chaves privadas — códigos essenciais para movimentar criptomoedas — invasão das carteiras digitais, falhas em contratos inteligentes e problemas com a guarda dos ativos. Contudo, apesar do crescimento do mercado, que movimentou US$ 9,37 bilhões (R$ 46,5 bilhões na cotação de hoje) em 2025 com expectativa de chegar a US$ 184,98 bilhões (R$ 918,5 bilhões na cotação de hoje) até 2033, o setor ainda é considerado de nicho, limitado a seguradoras especializadas.
Limitações e riscos dos seguros
O valor pago pela seguradora depende do limite da apólice, franquias e exclusões contratuais. Quando o prejuízo ultrapassa esse limite, a corretora precisa arcar com os custos remanescentes com recursos próprios ou por meio de fundos de emergência. A Binance, por exemplo, criou em 2018 o Fundo de Ativos Seguros para Usuários (SAFU), que hoje possui cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões na cotação de hoje) em bitcoin para proteger clientes em situações extremas.
Nem todas as perdas são cobertas pelos seguros contratados, pois existem exclusões comuns, como oscilações de preço dos ativos, fraudes internas e negligência na segurança das chaves. Além disso, seguros tradicionais contra roubos não abrangem criptomoedas, por terem sido projetados para bens físicos e financeiros convencionais, o que exige apólices específicas para riscos digitais.
Investigação e requisitos para indenização
Antes de pagar a indenização, as seguradoras investigam o ataque detalhadamente para verificar a forma de invasão, sistemas comprometidos e conformidade com as regras contratuais, como proteção das chaves privadas e controle de acesso. A origem do prejuízo — se por ataque externo ou ação interna — também é avaliada, pois pode influenciar no enquadramento do sinistro em apólice contra crimes ou seguro cibernético.
Em suma, embora o seguro para ativos digitais seja uma ferramenta relevante para mitigar riscos, ele não garante reembolso total automático e exige avaliação cuidadosa das condições contratuais e da segurança das corretoras.
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