Brasil expande mercado de cacau e enfrenta crise climática
Produção de cacau brasileira valoriza qualidade e preservação ambiental, mas mudança do clima ameaça tornar chocolate item de luxo.
O Brasil domina toda a cadeia produtiva do cacau, valorizando a qualidade e a sustentabilidade para ampliar presença no mercado internacional. O cultivo tradicional no sistema conhecido como cabruca, que consiste em plantar o cacau sob a sombra da Mata Atlântica, ajuda a preservar áreas florestais importantes no Espírito Santo e Bahia.
André Luiz Carvalho Scampini, secretário-executivo da Associação dos Cacauicultores do Espírito Santo (ACAU), destaca que o cacau é originário da Amazônia brasileira e cresce naturalmente em ambiente sombreado, situação que é preservada pelas práticas agrícolas locais. Em Linhares (ES), o cacau possui indicação geográfica, certificação que valoriza características únicas do terroir, entre elas aroma e sabor mais suaves, além da maior concentração de manteiga de cacau.
Produtores brasileiros, especialmente do Pará, Bahia e Espírito Santo, expõem seus chocolates e derivados no Salão do Chocolate e da Patisserie, em Paris, buscando novos mercados e melhor remuneração. No evento, é possível degustar diferentes produtos e acompanhar concursos que reconhecem as melhores receitas. Porém, o setor reclama que os produtores recebem cerca de 7% do preço final do chocolate, percentual considerado insuficiente.
Elis Joinville, da Cacau Brasil, alerta para os impactos da crise climática nas plantações. O aumento das temperaturas já prejudica cultivares tradicionais com mais de 200 anos, o que pode encarecer a produção e voltar a transformar o chocolate em um produto de luxo, como era tradicionalmente até meados do século XX.
Visitantes do salão parisiense elogiam a qualidade do chocolate brasileiro, destacando o equilíbrio de sabor e a suavidade, além da importância da sustentabilidade. Uma das visitantes ressaltou que a agrofloresta representa uma solução promissora para o futuro da produção.
A produção brasileira de cacau conecta conservação ambiental, história originária amazônica e valorização do produto para conquistar o consumidor mundial. Essa combinação dá novo impulso ao setor, que precisa enfrentar também os desafios impostos pela mudança climática para garantir sua sustentabilidade.
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