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Governo prorroga subsídio de R$ 2,12 ao diesel por 30 dias

A prorrogação do benefício de R$ 2,12 por litro busca mitigar efeitos da alta do petróleo e da dependência do diesel importado no Brasil.

Carro em abastecimento em posto de gasolina
Carro em abastecimento. Foto: Agência Brasil

O governo federal renovou o subsídio de R$ 2,12 por litro ao diesel por mais 30 dias, em uma medida que busca conter os efeitos da alta nos preços internacionais do petróleo, principal insumo da produção do combustível. Essa decisão ocorre em meio a pressões causadas por conflitos geopolíticos no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia, que elevaram o barril do petróleo Brent, referência global, para valores acima de US$ 100 em outubro de 2026.

A elevada cotação do petróleo e a desvalorização do real aumentam o custo da produção e importação do diesel. Apesar de ser um grande produtor mundial de petróleo, o Brasil depende em parte das importações para suprir sua demanda interna. Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam que, em agosto, o diesel importado representou cerca de 23,14% das vendas nacionais do combustível.

Dependência das importações e capacidade de refino

Embora a produção doméstica de diesel tenha avançado 18,5% no primeiro semestre de 2026, chegando a 38,7 milhões de barris, ela não tem sido suficiente para atender o consumo nacional, que alcançou 213,2 milhões de barris no mesmo período. O Brasil complementa sua demanda com 43,5 milhões de barris importados, equivalente a mais de 20% do total consumido.

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Essa dependência está ligada à capacidade limitada de refino do país, dado que o petróleo precisa ser processado em refinarias para se transformar em diesel. A Petrobras tem vendido refinarias para o setor privado nos últimos anos, o que tem sido discutido como um desafio para a oferta e os preços do diesel no mercado interno.

Impactos para o setor agrícola e transporte

O agronegócio brasileiro é bastante vulnerável ao aumento do preço do diesel, pois utiliza o combustível tanto em máquinas agrícolas no campo quanto no transporte de insumos e produtos pelas rodovias, que predominam no sistema logístico do país. A elevação do custo do diesel encarece fretes e a produção, pressionando preços na cadeia alimentar.

Com fretes mais caros, produtores podem ter que repassar o aumento aos consumidores finais ou absorver ganhos menores. Agricultores no Rio Grande do Sul já manifestaram receios quanto à possibilidade de desabastecimento de diesel, que coincidiria com o período de plantio da safra de verão.

Limites e estratégias do subsídio

Especialistas apontam que o subsídio do governo ajuda a amenizar, mas não resolve integralmente a questão da alta do diesel. A medida depende de recursos públicos em um momento de restrição orçamentária e deve ser temporária para evitar distorções no mercado.

Por outro lado, o subsídio também pode ser compensado pelo aumento da arrecadação decorrente das exportações de petróleo e dos resultados da Petrobras, que recebe dividendos e royalties sobre a atividade.

Perspectivas para reduzir vulnerabilidades

Para diminuir a dependência de importações e a sensibilidade do setor à volatilidade internacional, analistas recomendam ampliar e modernizar a capacidade de refino no Brasil, assim como diversificar os meios de transporte, investindo em modais alternativos para reduzir a pressão sobre os custos rodoviários.

Além disso, aumentar a produção nacional de fertilizantes e outros insumos essenciais pode compor uma estratégia mais ampla para o agronegócio se proteger da flutuação dos custos internacionais.

Tags: Subvenção GovernamentalTransporte rodoviárioagronegóciodieselpetróleo

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