Celina Leão encara falta de médicos e superlotação no DF
Rede pública do Distrito Federal enfrenta falta de médicos, filas para cirurgias e superlotação em hospitais e UPAs.
A saúde pública do Distrito Federal enfrenta desafios como superlotação em unidades de atendimento e falta de médicos. A governadora reeleita, Celina Leão (PP), terá como uma das prioridades reorganizar o sistema que acumula denúncias de falhas e investimentos insuficientes.


O pronto-socorro do Hospital Regional de Taguatinga apresentou ocupação superior a 250% em diversos meses, conforme dados obtidos pelo g1 por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Além disso, 11 das 13 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital operavam com mais pacientes do que sua capacidade regular, sendo que a UPA Ceilândia II chegou a atingir 400% de ocupação.

Atualmente, o Mapa Social da Saúde do Ministério Público do Distrito Federal registra mais de 33 mil solicitações para cirurgias eletivas, evidenciando a demanda reprimida no sistema. Em entrevista após a reeleição, Celina Leão se comprometeu a reduzir o tempo de espera por procedimentos cirúrgicos e anunciou a entrega de cinco novas UPAs ainda neste ano. Também destacou o lançamento do programa “Prontuário do Paciente”, que unificará o histórico clínico digital dos usuários da rede pública.
Entre os problemas estruturais, a escassez de profissionais médicos é significativa. Em janeiro de 2025, faltavam quase mil médicos na rede pública do DF, abrangendo diversas especialidades, exceto intensivistas. Para mitigar essa carência, o governo convocou 116 médicos temporários em caráter de urgência, contratados por um ano, sem possibilidade de prorrogação.
Celina Leão reconhece as dificuldades para atrair profissionais à rede pública e anunciou que o governo avalia melhorias na remuneração, especialmente para áreas com maior carência, como anestesiologia, ginecologia e oncologia. Os salários para médicos na rede variam entre R$ 10,6 mil e R$ 21,3 mil.
A situação precária não se restringe ao déficit de profissionais. O Hospital de Base, a principal unidade da capital, enfrenta condições inadequadas em setores essenciais, com denúncias de sujeira e armazenamento incorreto de materiais e órgãos para análise. Além disso, problemas com ambulâncias contratadas pela administração, como veículos com pneus carecas e falhas de sinalização, têm sido relatados.
O Instituto de Gestão Estratégica do Distrito Federal (Iges-DF), responsável pela administração do Hospital de Base, Hospital Regional de Santa Maria e das UPAs, tem sido alvo de críticas e apontamentos de irregularidades, inclusive em relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) que identificou falhas graves no uso de recursos federais.
Durante a atual campanha, Celina Leão afirmou a necessidade de diminuir os custos administrativos do Iges-DF e fortalecer a atenção primária, além de modernizar hospitais e valorizar os profissionais da saúde. As medidas visam ampliar a capacidade do sistema e melhorar o atendimento à população do Distrito Federal.
Esses desafios compõem um cenário complexo herdado e reconhecido oficialmente pela governadora, que assumiu o compromisso de promover mudanças significativas em sua nova gestão na área da saúde pública.
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