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Celina Leão encara falta de médicos e superlotação no DF

Rede pública do Distrito Federal enfrenta falta de médicos, filas para cirurgias e superlotação em hospitais e UPAs.

Celina Leão na entrega da UTI reformada do Hospital Regional Leste, no Paranoá, em janeiro de 2026.
Celina Leão na entrega da UTI reformada do Hospital Regional Leste, no Paranoá, em janeiro de 2026. — Foto: Joel Rodrigues/ Agência Brasília

A saúde pública do Distrito Federal enfrenta desafios como superlotação em unidades de atendimento e falta de médicos. A governadora reeleita, Celina Leão (PP), terá como uma das prioridades reorganizar o sistema que acumula denúncias de falhas e investimentos insuficientes.

Funcionários denunciam empresa de ambulâncias contratada pelo IGESDF.
Funcionários denunciam empresa de ambulâncias contratada pelo IGESDF. — Foto: Reprodução
Iges-DF é responsável pela administração do Hospital de Base
Iges-DF é responsável pela administração do Hospital de Base — Foto: TV Globo/Reprodução

O pronto-socorro do Hospital Regional de Taguatinga apresentou ocupação superior a 250% em diversos meses, conforme dados obtidos pelo g1 por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Além disso, 11 das 13 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital operavam com mais pacientes do que sua capacidade regular, sendo que a UPA Ceilândia II chegou a atingir 400% de ocupação.

Fachada da UPA de Ceilândia, no Distrito Federal
Fachada da UPA de Ceilândia, no Distrito Federal — Foto: Andre Borges/GDF/Divulgação

Atualmente, o Mapa Social da Saúde do Ministério Público do Distrito Federal registra mais de 33 mil solicitações para cirurgias eletivas, evidenciando a demanda reprimida no sistema. Em entrevista após a reeleição, Celina Leão se comprometeu a reduzir o tempo de espera por procedimentos cirúrgicos e anunciou a entrega de cinco novas UPAs ainda neste ano. Também destacou o lançamento do programa “Prontuário do Paciente”, que unificará o histórico clínico digital dos usuários da rede pública.

Entre os problemas estruturais, a escassez de profissionais médicos é significativa. Em janeiro de 2025, faltavam quase mil médicos na rede pública do DF, abrangendo diversas especialidades, exceto intensivistas. Para mitigar essa carência, o governo convocou 116 médicos temporários em caráter de urgência, contratados por um ano, sem possibilidade de prorrogação.

Celina Leão reconhece as dificuldades para atrair profissionais à rede pública e anunciou que o governo avalia melhorias na remuneração, especialmente para áreas com maior carência, como anestesiologia, ginecologia e oncologia. Os salários para médicos na rede variam entre R$ 10,6 mil e R$ 21,3 mil.

A situação precária não se restringe ao déficit de profissionais. O Hospital de Base, a principal unidade da capital, enfrenta condições inadequadas em setores essenciais, com denúncias de sujeira e armazenamento incorreto de materiais e órgãos para análise. Além disso, problemas com ambulâncias contratadas pela administração, como veículos com pneus carecas e falhas de sinalização, têm sido relatados.

O Instituto de Gestão Estratégica do Distrito Federal (Iges-DF), responsável pela administração do Hospital de Base, Hospital Regional de Santa Maria e das UPAs, tem sido alvo de críticas e apontamentos de irregularidades, inclusive em relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) que identificou falhas graves no uso de recursos federais.

Durante a atual campanha, Celina Leão afirmou a necessidade de diminuir os custos administrativos do Iges-DF e fortalecer a atenção primária, além de modernizar hospitais e valorizar os profissionais da saúde. As medidas visam ampliar a capacidade do sistema e melhorar o atendimento à população do Distrito Federal.

Esses desafios compõem um cenário complexo herdado e reconhecido oficialmente pela governadora, que assumiu o compromisso de promover mudanças significativas em sua nova gestão na área da saúde pública.

Tags: Celina LeãoDistrito FederalSaúde Públicafalta de médicossuperlotação

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