Santoro muda vilão e inclui português em filme de ação
Ator não se identificou inicialmente com personagem e convenceu diretor a mudar o roteiro, destacando falas em português.
Rodrigo Santoro, ator brasileiro com mais de 20 anos de carreira em Hollywood, não se interessou de início pelo personagem vilão Damián Zaldívar no filme Três Horas para Viver. O ator considerou o papel "protocolar e tradicional" para um antagonista em um longa de ação.
Em busca de deixar o personagem mais autêntico, Santoro manteve contato com o diretor Scott Waugh, conhecido por "Os Mercenários 4", durante duas semanas por videoconferência. A partir dessas conversas, ele convenceu o cineasta a modificar o roteiro, incluindo falas em português para seu personagem.
O filme, rodado na Austrália, acompanha Hank Malone (Alan Ritchson), um entregador de elite que deve transportar um fígado para um transplante que salvará a vida de uma menina. Entretanto, o órgão é disputado por Damián, chefe de cartel violento interpretado por Santoro, que motiva uma perseguição intensa.
A inserção do português nas falas do vilão surgiu de um improviso durante um ensaio, quando Santoro usou um palavrão na língua, chamando a atenção do diretor, que inicialmente pensou ser espanhol. A nacionalidade de Damián permanece indefinida no filme, proporcionando uma mistura de inglês e português nos diálogos.
Em uma cena, esse recurso é usado como provocação pelo protagonista Hank, que ironiza o "sotaque de merda" de Damián. Santoro, no entanto, rejeita a ideia de que isso evidencie um preconceito contra latinos ou imigrantes no roteiro.
Além do aspecto de ação, o longa também apresenta uma reflexão sobre a doação de órgãos, tema presente nas histórias dos personagens e que pode estimular o debate fora das telas. Santoro ressaltou ainda a dedicação de profissionais que se arriscam para salvar vidas, como médicos, enfermeiros e bombeiros.
Apesar da experiência, Santoro mantém seu critério original para seletivamente escolher projetos: ele precisa se conectar com as histórias que interpreta. Recentemente, esteve nos filmes O Último Azul (2025), dirigido por Gabriel Mascaro e que discute o etarismo, e Corrida dos Bichos (2026), uma distopia que aborda catástrofe climática e desigualdade social.
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