Música melhora percepção de esforço e motiva em exercícios
Especialistas explicam como ritmo e energia das músicas afetam a sensação de cansaço e o humor na prática de atividades físicas.
Durante a realização de atividades físicas, a música pode desempenhar um papel importante na motivação e na percepção do esforço, embora não altere diretamente o resultado do exercício. Segundo estudos e especialistas, a escolha do ritmo musical, expresso em batidas por minuto (BPM), pode ajudar o praticante a manter um ritmo constante compatível com a intensidade da atividade realizada.
O professor Sérgio Gregorio da Silva, diretor do Centro de Educação Física e Desportos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), destaca que a música proporciona ânimo e torna o exercício mais agradável, influenciando a maneira como a pessoa se sente e o ritmo escolhido para o treino. Entretanto, ele ressalta que não existe um BPM ideal universal, pois cada pessoa responde de forma individual à música durante o exercício.
Já a musicoterapeuta Cléo Monteiro França Correia, colaboradora da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), esclarece que a música ativa regiões sensório-motoras do cérebro por meio da neuroplasticidade, desviando a atenção do desconforto físico para o estímulo auditivo. Dessa forma, torna a prática mais prazerosa ao melhorar o humor e a motivação, sem modificar diretamente a intensidade do esforço.
Relação entre ritmo da música e tipo de exercício
De acordo com o estudo realizado por Karageorghis em 2009, a música com um BPM alinhado à zona cardíaca ideal para determinada atividade pode favorecer a manutenção do ritmo durante o exercício. Por exemplo, faixas populares com BPM entre 119 e 124, como "Don't Start Now", de Dua Lipa, podem ser adequadas para ritmo moderado, enquanto músicas mais rápidas, como "Blinding Lights", de The Weeknd (171 BPM), são utilizadas para atividades com maior intensidade.
Além da velocidade da batida, o conteúdo emocional da música também é fundamental. Hitmaker, produtor musical conhecido pelo projeto Hitdance, enfatiza que a energia transmitida pela letra, pelos instrumentos e pela dinâmica rítmica é o que realmente motiva dentro do treino, independentemente do valor exato de BPM.
Preferências pessoais e estilos musicais
Pesquisa da Maximum Boxing aponta que o estilo musical mais escolhido pelos brasileiros para treinar é o pop (56,2%), seguido pela música eletrônica (42%), rock/metal (35%) e sertanejo (31,2%). Os artistas mais citados para compor playlists incluem Alok, Anitta e Henrique e Juliano. Essa diversidade mostra que as preferências pessoais e a conexão emocional são predominantes para a escolha da música durante a atividade física.
Em resumo, a música funciona como um estímulo que pode proteger o praticante do tédio e da fadiga mental, ajudando-o a manter a motivação e o ritmo durante o treino. Portanto, tanto o alinhamento do BPM com o ritmo da atividade quanto a identificação emocional com a música são fatores essenciais para potencializar a experiência física.
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