Patrick Assisi: integrante da máfia italiana e marido de influenciadora presa em operação da PF
Patrick Assisi, ligado à ‘Ndrangheta, foi preso em 2019; após isso, a esposa Paula Simões assumiu o comando de tráfico internacional de drogas, segundo investigações.
Patrick Assisi é identificado pela Polícia Federal como membro da máfia italiana ‘Ndrangheta, envolvido em um esquema de tráfico internacional de drogas, especialmente no envio de cocaína para a Europa utilizando portos brasileiros. Ele foi preso em julho de 2019 junto com seu pai, Nicola Assisi, durante a Operação Barão Invisível, realizada em Praia Grande, litoral de São Paulo.
Na ocasião, foram apreendidos quase cinco quilos de cocaína, três armas e grande quantia em dinheiro em diferentes moedas, além de um compartimento secreto no imóvel onde estavam. Ambos estavam foragidos desde 2014 e tinham mandados de prisão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, com cooperação internacional da Interpol e das autoridades italianas.
Patrick Assisi foi condenado a mais de 14 anos de reclusão e transferido para o Sistema Penitenciário Federal. Um pedido de transferência para um presídio em São Paulo foi negado devido ao risco que sua permanência na região poderia representar, considerando sua influência e suposto papel de liderança na organização criminosa, com conexões a outras facções criminosas brasileiras, como o PCC.
Ascensão de Paula Simões no comando do esquema
Após a prisão de Patrick Assisi, sua esposa, a influenciadora digital Paula Simões, teria assumido o controle operacional do esquema de tráfico de drogas no Brasil, conforme apontam as investigações da Polícia Federal. Paula teria administrado cerca de 2,2 toneladas de cocaína pertencentes ao grupo e continuado a adquirir novos carregamentos para envio ao exterior.
Usando o codinome ‘Chanel’ em aplicativos de mensagens criptografadas, Paula recebia ordens enviadas por bilhetes, intermediados pelo advogado Patrick Cardoso, que representava os mafiosos presos e atuava como contato entre eles.
Conforme a PF, a influência de Paula no comando do grupo gerou conflitos internos, e ela chegou a receber ameaças de morte por parte de integrantes da ‘Ndrangheta, motivadas por um suposto relacionamento entre ela e o advogado. A facção teria atribuído um valor de cerca de 250 mil euros pela cabeça da influenciadora em razão do poder e do luxo relacionados à atividade criminosa.
Operação Eredità e desdobramentos
Na Operação Eredità, realizada entre 2020 e 2025, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão contra Paula Simões e o advogado Patrick Cardoso em cidades de Santa Catarina e São Paulo. A Justiça também determinou bloqueios de bens e sequestros de imóveis relacionados à investigação.
Essa ação reuniu esforços de autoridades brasileiras e italianas e contou com participação da Polícia Federal, Ministério Público Federal, Departamento Anticrime de Turim do ROS Carabinieri e Ministério Público de Turim.
As defesas de Paula Simões e Patrick Cardoso negam as acusações, afirmando que não há comprovação das atividades criminosas atribuídas e que as suspeitas são inferências das autoridades policiais.