Influenciadora suspeita de ligação com máfia italiana teve ameaça com valor da própria cabeça estimado em 250 mil euros, segundo Polícia Federal
A influenciadora Paula Simões foi alvo de ameaças pela máfia 'Ndrangheta após suposto relacionamento extraconjugal envolvendo esquema de tráfico internacional.
A Polícia Federal revelou investigação envolvendo a influenciadora Paula Simões, apontada como ligada à máfia italiana ‘Ndrangheta’. Após a prisão do marido de Paula, Patrick Assisi, em julho de 2019, ela teria assumido a coordenação de um esquema de tráfico de cocaína no Brasil, operando como ‘herdeira operacional’ da organização criminosa.
Segundo a PF, Paula Simões manteve um relacionamento extraconjugal com o advogado Patrick Cardoso, também preso durante as investigações. Essa relação gerou ameaças por parte da máfia italiana, que estimou o valor da cabeça da influenciadora em 250 mil euros, cerca de R$ 1,4 milhão atualmente, devido a conflitos internos motivados pela traição.
A ameaça contra Paula foi relacionada ao uso de recursos provenientes do narcotráfico para financiar luxos e viagens, além de gerar preocupação sobre possíveis retaliações que poderiam afetar a logística do tráfico caso ela não se afastasse de Cardoso. A organização ainda pressionava Paula a quitar dívidas relativas a carregamentos de cocaína exportados.
A PF identificou que Paula utilizava o codinome ‘Chanel’ no aplicativo de mensagens criptografadas SkyECC, através do qual intermediava contatos entre fornecedores sul-americanos e investidores europeus, coordenando remessas de cocaína destinadas ao exterior e movimentação financeira da quadrilha.
O advogado Patrick Cardoso teria atuado como intermediário entre traficantes ligados à ‘Ndrangheta, além de participar da lavagem de dinheiro da influenciadora, realizando locações dissimuladas, aquisição de imóvel e utilização de notas fiscais frias. Ele também foi acusado de facilitar comunicação entre o preso líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Paraguai, conhecido como Elton Leonel Rumich da Silva, e a organização criminosa.
Além disso, Paula Simões e o doleiro Tharek Mourad Mourad, preso em 2025, estariam envolvidos em um esquema ilícito de câmbio conhecido como “dólar-cabo/token”, que movimentou mais de US$ 6 milhões entre 2020 e 2021, financiando a compra de drogas, repasses à máfia e despesas pessoais. Um dos carregamentos investigados inclui pagamento de US$ 1,47 milhão por 300 kg de cocaína.