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São Paulo

Inpe vai receber R$ 147,6 milhões para desenvolver inteligência artificial contra o desmatamento

Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais terá recurso do Fundo Amazônia para aprimorar detecção de perda de vegetação nativa no Brasil.

16/10/2026 às 16h42

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) vai receber R$ 147,6 milhões em recursos do Fundo Amazônia para desenvolver o projeto SIM-Biomas, que aplicará inteligência artificial na aceleração da detecção da perda de vegetação nativa no Brasil.

O objetivo da iniciativa é indicar antecipadamente as áreas mais ameaçadas por desmatamento, degradação e incêndios, unificando sistemas existentes — o Prodes, que oferece dados mais precisos anualmente, e o Deter, que fornece alertas rápidos. Essa integração deve possibilitar que as informações sejam disponibilizadas com agilidade e detalhamento aprimorados, gerando alertas dentro do mesmo ano em que as alterações no terreno ocorrem.

A inteligência artificial será empregada para automatizar a análise das imagens captadas por satélites, identificando padrões de clareiras recentes, degradação florestal e cicatrizes de queimadas. A resolução dos mapas de fogo passará por um salto, de 1 km para 30 metros por pixel, possibilitando um detalhamento equivalente a menos que a área de um campo de futebol, importante para o planejamento de prevenção e combate a incêndios.

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O diretor do Inpe, Antônio Miguel Vieira Monteiro, destacou que os softwares e métodos desenvolvidos serão de código aberto, para garantir replicação e verificação por outras instituições.

Originalmente, o Inpe vem enfrentando desafios orçamentários, com redução significativa de verbas na última década e um episódio de pressão política que resultou na demissão do ex-diretor Ricardo Galvão em 2019. O orçamento do instituto experimentou alguma recuperação desde 2023, mas o montante recebido do Fundo Amazônia é adicional ao orçamento regular e representa uma injeção importante para ampliar a capacidade tecnológica.

O Fundo Amazônia, criado há 18 anos para financiar ações de combate ao desmatamento e uso sustentável da floresta, é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Conta atualmente com nove países doadores e já soma R$ 5,3 bilhões em doações, com 159 projetos aprovados que abrangem três quartos dos municípios da Amazônia Legal.

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