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São Paulo

Influenciador e ex-candidato a deputado vira réu por agir como policial e intimidar flanelinhas em Ribeirão Preto

Hagara Espresola Ramos responde por usurpação de função pública e constrangimento ilegal após abordar flanelinhas com colete e carros com luzes semelhantes às policiais.

Por 14/10/2026 às 00h42

O influenciador digital Hagara Espresola Ramos, conhecido como Hagara do Pão de Queijo e ex-candidato a deputado federal nas eleições de 2026, tornou-se réu na Justiça de Ribeirão Preto (SP) por usurpação de função pública e constrangimento ilegal. A decisão judicial que aceitou a denúncia ocorreu no dia 30 de setembro.

De acordo com o Ministério Público (MP), Hagara e outras quatro pessoas usaram coletes semelhantes aos policiais e veículos com adesivos de uma empresa de segurança, equipados com luzes nas cores azul e vermelha, para abordar guardadores de carros, conhecidos como flanelinhas, na noite de 18 de junho, próximo ao Estádio Santa Cruz, durante um show da cantora Ana Castela.

O MP acusa que Hagara teria cometido atos como obrigar um flanelinha a colocar as mãos na parede, rasgar ou tirar à força coletes, exigir a devolução de dinheiro cobrado e expulsar os trabalhadores das ruas, ações filmadas e posteriormente divulgadas nas redes sociais do influenciador. Em um dos vídeos, o próprio Hagara teria dito: “Ninguém mais cobrando, limpamos a rua, vagabundo não vai cobrar mais aqui em Ribeirão Preto, não”.

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Além de Hagara, os outros quatro réus incluem um influenciador, dois apoiadores e o filho do dono da empresa de segurança, que usava o uniforme da companhia. O proprietário da empresa também foi denunciado por falso testemunho ao mentir sobre a contratação da sua empresa na ocasião.

O juiz Lúcio Alberto Eneas da Silva Ferreira, da 4ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, determinou a remoção dos vídeos das redes sociais (Instagram, Facebook e TikTok) em até 48 horas.

Defesa e investigação paralela

A defesa do influenciador afirma que ele não praticou nenhum ato ilícito, que ainda não teve acesso ao processo e que Hagara foi ao local após relatos de ameaças por parte dos flanelinhas. Segundo o advogado, ele teria sido hostilizado e, então, acionou a Polícia Militar, que compareceu ao local.

Em depoimento à polícia, Hagara negou o uso de violência física e afirmou que usava um “colete recreativo”, sem semelhança com uniformes oficiais. Também disse que o encontro com a empresa de segurança foi casual e confirmou a presença da Polícia Militar na ocasião.

O Ministério Público encaminhou cópias do processo à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) para apurar em inquérito separado a suspeita de atuação organizada do grupo como milícia privada, o que não consta na denúncia recebida pela Justiça.

Contexto e consequências

Segundo o MP, as ações do grupo teriam sido uma tentativa de fortalecer a imagem de Hagara para o eleitorado e gerar engajamento nas redes sociais, configurando a usurpação da função pública em forma qualificada, o que pode agravar a pena. A acusação ainda aponta Hagara como líder do grupo.

Em julho, mandados de busca apreenderam notebooks, celulares, um simulacro de fuzil, aparelhos de luz portátil e um carro com luzes que, segundo perícia, operavam corretamente e são de uso exclusivo para veículos oficiais de emergência e segurança.

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