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São Paulo

Hotel de Campinas antecipa contratações com fim da escala 6×1; comércio e restaurantes enfrentam desafios

Aprovação do fim da escala 6x1 leva hotel em Campinas a planejar aumento de até 20% no quadro, enquanto comércio e bares reavaliam operações.

15/10/2026 às 21h16  ·  Atualizado em 15/10/2026 às 21h20

Com a recente aprovação da proposta que encerra a escala 6×1, estabelecendo dois dias de descanso remunerado por semana e reduzindo a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, empresas na região de Campinas começam a ajustar seus planejamentos. A mudança, que traz impacto direto para diversos setores, está prevista para ser implementada após um período de transição de 14 meses, durante o qual os salários permanecem inalterados.

No setor hoteleiro, um hotel da região já prevê aumentar seu quadro de funcionários entre 15% e 20% para assegurar a manutenção das operações com a nova jornada. Segundo Michael Matsuda, gerente de operações da unidade, essa ampliação visa garantir a cobertura adequada das escalas e a continuidade dos serviços. Matsuda destaca que a escala 6×1, apesar de exigente para os colaboradores, estava vigente devido à necessidade operacional, e que a revisão deve beneficiar a equipe, tornando os trabalhadores mais dispostos.

O supervisor de eventos do hotel, Pedro Ventura, também enfatizou a melhoria na qualidade de vida proporcionada pela medida, afirmando que a aprovação da mudança foi aguardada com expectativa por quem vivenciava a antiga escala.

Leia também: PEC que acaba com escala 6×1 deixa servidores, MEIs e serviços essenciais de fora

No comércio, a adaptação às novas regras é vista com mais cautela. Patrícia Auxiliadora, gerente comercial, afirma que inicialmente não há previsão de aumento no número de funcionários, mas que o remanejamento de folgas será necessário para evitar prejuízo em períodos de maior movimento, notadamente aos sábados.

Entidades empresariais da região manifestam preocupação com os desafios que o fim da escala 6×1 traz para pequenos negócios e para setores que dependem do trabalho em finais de semana e feriados. André Mandetta, presidente regional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), sinaliza que ajustes na organização das equipes poderão acarretar elevação de custos para bares e restaurantes.

Além disso, Jaime Vasconcelos, economista do Sindivarejista Campinas, reconhece que o comércio varejista estará entre os setores mais impactados e deverá responder rapidamente às mudanças estruturais no mercado de trabalho.

Franciele Aparecida Gurgel, presidente da Comissão de Direito do Trabalho da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Campinas, enxerga benefícios mútuos para empregados e empregadores com a redução da jornada, mas ressalta que o maior desafio será a conciliação da necessidade de descanso dos trabalhadores com a continuidade dos serviços oferecidos.

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