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São Paulo

Ex-secretário e marido da prefeita de Bauru é transferido para penitenciária após prisão por fraude em licitação do lixo

Renato Purini foi preso por suspeita de corrupção e fraude na licitação do contrato de resíduos sólidos em Bauru e teve habeas corpus negado.

21/10/2026 às 18h56

Renato Purini, ex-secretário de Governo e marido da prefeita de Bauru (SP), Suéllen Rosim (PSD), foi transferido para a Penitenciária II de Potim no Vale do Paraíba na tarde de quarta-feira (21). Ele foi preso em 16 de outubro durante a segunda fase da Operação Cavalo de Troia, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que investigava fraude na licitação do serviço de resíduos sólidos da cidade.

Purini teve pedido de habeas corpus negado no dia 17 de outubro pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Ele é investigado por crimes como organização criminosa, corrupção passiva e ativa, falsidade documental e fraude em licitação. Segundo o Ministério Público, ele teria recebido pagamentos da Estre Ambiental para articular apoio político e influenciar na aprovação do contrato de concessão do lixo, avaliado em cerca de R$ 5,2 bilhões e com vigência prevista de 30 anos.

As investigações indicam que Purini atuava como elo político do esquema e monitorava os vereadores para garantir a aprovação da proposta. Interceptações telefônicas apontam que ele teria pressionado parlamentares e coordenado a votação do projeto, incluindo a gestão de repasses financeiros disfarçados por meio de honorários advocatícios pagos à intermediários.

Leia também: Prefeita de Bauru se posiciona após prisão do marido e nega irregularidades em licitação bilionária

Além disso, o Ministério Público apura se o ex-secretário tentou fugir antes do cumprimento do mandado de prisão, ao circular de carro em locais próximos ao Ministério Público e à prefeitura e trocar de aparelho celular pouco antes da operação policial. O casal residia em um condomínio de alto padrão em Bauru, onde a polícia também cumpriu mandados de busca e apreensão.

Após a prisão de Purini, a prefeita Suéllen Rosim exonerou-o do cargo de secretário de Governo. Ela não é alvo dessa etapa da investigação. A defesa do ex-secretário argumentou que a prisão preventiva não teria fundamento adequado, mas o pedido foi indeferido pelo TJ-SP sob a justificativa da gravidade dos fatos e da necessidade de evitar a interferência nas investigações.

As investigações do Gaeco começaram em março, a partir de denúncias de intimidação a catadores de material reciclável e suspeitas de esquemas envolvendo servidores públicos e empresas. A operação já cumpriu diversos mandados e prendeu outras pessoas envolvidas, enquanto as apurações continuam para identificar todos os envolvidos e possíveis ilícitos adicionais.

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