Justiça Federal torna 12 réus por queda do voo da Voepass e mãe da vítima mais jovem vê esperança
Decisão judicial abre caminho para responsabilização pelos 62 mortos na tragédia da Voepass em Vinhedo.
A Justiça Federal aceitou a denúncia contra 12 pessoas envolvidas na tragédia do voo 2283 da Voepass, que caiu em Vinhedo (SP) em 2024, resultando na morte de 62 pessoas. Entre os réus estão integrantes da alta administração da empresa, incluindo o presidente José Luiz Felício Filho, e dois funcionários com participação direta nos eventos que levaram ao acidente.
A decisão judicial foi recebida com esperança por Adriana Ibba, mãe de Liz, a vítima mais jovem da queda. Às vésperas do que seria o aniversário de 6 anos da filha, Adriana destacou que o ato respeita e valida o trabalho investigativo da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) nos dois anos de apuração.
Acusações e contexto da denúncia
O MPF acusa os réus por crimes como atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro aéreo com resultado morte. A denúncia aponta que a Voepass priorizava a redução de custos em detrimento da manutenção adequada das aeronaves. Aviões da companhia teriam registros falsificados ou reparos precários, com utilização de peças de baixa qualidade e falta de rastreabilidade. Havia também pressão para que falhas identificadas durante voos e inspeções não fossem registradas.
De acordo com o MPF, o acidente não foi um episódio isolado, mas consequência de omissões deliberadas em um processo continuado.
Detalhes técnicos e operação no dia do acidente
O voo ocorreu em 9 de agosto de 2024 sob alerta de formação de gelo severo. A aeronave modelo ATR 72-500 não possuía certificação para operar em condições críticas de gelo, mas foi escalada mesmo assim. Problemas antigos no sistema de degelo, conhecidos pela empresa, mas não documentados oficialmente, contribuíram para a perda de sustentação do avião.
Posições e manifestações das partes
A Voepass declarou que continuará colaborando com o Poder Judiciário e demais autoridades competentes, mantendo seu compromisso com a segurança de operação, conforme suas diretrizes internas e regulamentações aeronáuticas. A defesa do presidente José Luiz Felício Filho afirmou que irá se manifestar nos autos em momento oportuno, assegurando o direito ao contraditório e ampla defesa.
Advogados que representam familiares das vítimas destacaram que a aceitação integral da denúncia representa um passo relevante rumo à responsabilização dos acusados, afirmando ser uma ação inédita em processos por acidentes aéreos no país.
Além dos 12 denunciados que se tornaram réus, outras quatro pessoas firmaram acordos de não persecução penal, não sendo incluídas na denúncia.
Este processo marca um importante momento judicial e de busca por justiça após o trágico acidente aéreo da Voepass em Vinhedo, com a expectativa de que as responsabilidades sejam apuradas e os responsáveis eventualmente condenados.