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São Paulo

Chuvas acima da média prejudicam safra e atrasam colheita de cana no interior paulista

Excesso de chuvas em Ribeirão Preto reduz teor de açúcar na cana e adia término da moagem para dezembro.

21/10/2026 às 00h10

No interior do estado de São Paulo, as chuvas acima da média registradas no início da primavera têm impactado negativamente a safra de cana-de-açúcar da região de Ribeirão Preto. Em setembro, o município recebeu 100 milímetros de precipitação, o que representa um volume 44% superior à média histórica para o mês, conforme informações do G1.

Esse excesso de água afetou a fisiologia das plantas já maduras destinadas à colheita, ao reduzir o teor de sacarose nos colmos da cana. A combinação de umidade constante e alta luminosidade fez com que a planta consumisse a energia armazenada para retomar o crescimento, resultando em uma matéria-prima com menor concentração de açúcar total recuperável (ATR).

Consequentemente, além da queda na remuneração recebida pelos produtores, uma vez que o pagamento é calculado com base no ATR por tonelada, as usinas enfrentam maior processamento de água e impurezas, o que eleva os custos e reduz a produção de açúcar e etanol.

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A situação também provocou atrasos no calendário previsto para a safra. Inicialmente planejada para ser concluída em novembro, a moagem foi adiada para o início de dezembro, estendendo o período em aproximadamente 15 dias. Para minimizar paralisações nas fábricas, as indústrias adotaram um sistema de rodízio no transporte entre áreas mais secas e áreas impactadas pelas chuvas.

De acordo com levantamento da consultoria Datagro, o Centro-Sul do Brasil pode ter mais de 35 milhões de toneladas de cana não colhidas na safra atual, acumulando para o próximo ciclo o maior volume já registrado, superando os 24 milhões de toneladas não retiradas na safra 2015/2016.

Especialistas apontam que este cenário pode pressionar os preços do açúcar e do etanol no curto prazo devido à menor oferta, ao mesmo tempo em que amplia a disponibilidade da matéria-prima para a próxima safra, cujo planejamento deverá considerar esse acréscimo.

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