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Rio Grande do Sul

PM suspeito de matar ex-mulher e pais dela no RS será avaliado psicologicamente pela Brigada Militar

Policial militar Cristiano Domingues Francisco passará por junta médica para avaliar capacidade de responder ao processo administrativo na Brigada Militar.

16/10/2026 às 07h17

O policial militar Cristiano Domingues Francisco, principal suspeito pelo desaparecimento e morte da família Aguiar em Cachoeirinha, Rio Grande do Sul, passará por uma avaliação psicológica realizada pela Junta Policial-Militar de Saúde da Brigada Militar. A medida tem como finalidade verificar se ele possui condições psicológicas para responder ao processo administrativo no Conselho de Disciplina da corporação.

Silvana de Aguiar, de 48 anos, ex-mulher de Cristiano, e seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69 anos, e Dalmira Germann de Aguiar, 70 anos, desapareceram nos dias 24 e 25 de janeiro. O caso já dura nove meses e as autoridades consideram remotas as chances de encontrá-los com vida.

Cristiano responde, na esfera criminal, por dois feminicídios (Silvana e Dalmira), um homicídio qualificado (Isail), além dos crimes de ocultação de cadáver, fraude processual, associação criminosa, falsidade ideológica, furto e abandono de incapaz. O Ministério Público denunciou formalmente o policial, seu irmão Wagner Domingues Francisco e a companheira de Cristiano, Milena Ruppenthal Domingues, por participação nas mortes e ações para dificultar as investigações. Outras três pessoas também foram indiciadas.

O procedimento de avaliação psicológica estava inicialmente previsto para 18 de setembro, mas foi adiado sem nova data confirmada. Cristiano está preso no Presídio Policial Militar em Porto Alegre e encontra-se afastado das funções policiais, recebendo seus vencimentos enquanto aguarda decisão final no processo disciplinar. A Brigada Militar informou que o processo administrativo tramita regularmente, garantindo ao acusado o direito ao contraditório e à ampla defesa.

A avaliação médica irá considerar, entre outros aspectos, a existência de eventual “moléstia psicológica” no momento dos fatos, a capacidade do policial para compreender a ilicitude das infrações administrativas e para se submeter ao processo. Caso considerado apto, Cristiano poderá ser julgado pelo Conselho de Disciplina, que pode aplicar punições que vão até a expulsão da corporação.

As defesas de Cristiano, Wagner e Milena estão questionando pontos da investigação e aguardam laudos técnicos para análise detalhada do caso. Entre os argumentos apresentados está o questionamento da cronologia da acusação, a ausência dos corpos, além de alegações de falhas técnicas e processuais durante as investigações e procedimentos policiais. Milena, por sua vez, foi proibida judicialmente de se aproximar do enteado, filho de Silvana.

Apesar da conclusão do inquérito com indiciamento de seis pessoas, o processo judicial ainda não tem prazo definido para julgamento. A Justiça negou pedidos de prisão de Wagner e Milena, decisão que foi mantida pelo Tribunal de Justiça.

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