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Rio Grande do Sul

Justiça do RS condena 15 pessoas por adulteração de leite com soda cáustica em esquema na Dielat

Tribunal do Rio Grande do Sul sentenciou envolvidos em esquema que adulterava leite usando código 'vitamina' para soda cáustica; penas chegam a mais de 13 anos.

Por 13/10/2026 às 23h32
1 de 2 Operação Leite Compensado, no RS
1 de 2 Operação Leite Compensado, no RS — Foto: Reprodução/ RBS TV

A Justiça do Rio Grande do Sul condenou 15 pessoas vinculadas a um esquema de adulteração de produtos lácteos da empresa Dielat, localizada em Taquara. A sentença, divulgada em 13 de outubro de 2026, impôs penas que chegam a 13 anos e 4 meses de reclusão.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul investigou o caso a partir da Operação Leite Compensado, deflagrada em dezembro de 2024, que revelou a utilização de produtos químicos para alterar a acidez e parâmetros dos leites produzidos pela indústria. Substâncias como soda cáustica e peróxido de hidrogênio eram codificadas como “vitamina” e “lactose”, respectivamente, para mascarar a adulteração.

De acordo com o processo, a soda cáustica era retirada do material de limpeza da fábrica e adicionada diretamente nos silos com baldes, funis ou tubulações para reduzir a acidez detectada nas análises. Documentos judiciais citam registros detalhados com fórmulas matemáticas usadas para calcular as dosagens necessárias de químicos.

Além disso, a investigação descobriu depósitos clandestinos com mais de 800 toneladas de produtos lácteos vencidos, deteriorados, sem rotulagem ou destinados à alimentação animal, alguns localizados em um galpão na Rua Amazonas. Esses materiais e resíduos, como varredura do chão, eram reaproveitados na fabricação dos produtos finais.

A fraude incluía ainda a simulação de descarte de mercadorias condenadas pelo Ministério da Agricultura, que em realidade eram queimadas parcialmente para gravar vídeos, enquanto o restante era mantido para uso na produção.

Para ocultar as práticas ilícitas, os investigados mantinham sistemas paralelos de planilhas adulteradas que apresentavam parâmetros dentro dos padrões para os órgãos fiscalizadores, enquanto os registros originais indicavam irregularidades como alteração de acidez, baixa qualidade de proteínas, presença de coliformes e até DNA bovino em leite de cabra.

A sentença foi proferida pela 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro e condenou 13 dos réus também por adulteração de produtos alimentícios, além da associação criminosa. Os condenados com as maiores penas foram Antônio Ricardo Colombo Sader e Tales Bardo Laurindo.

Como medida, a Justiça determinou o perdimento e destruição dos produtos ilícitos e dos insumos encontrados, notificou o Ministério da Agricultura para providências e comunicou às prefeituras com contratos ativos relacionados aos réus, especialmente os ligados a programas de alimentação escolar.

A reportagem tentou contato com as defesas dos condenados e com a Dielat, sem obter retorno até o momento.

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