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Rio Grande do Sul

Justiça do RS condena 15 envolvidos em adulteração de leite com soda cáustica

Operação Leite Compensado resulta em condenação por uso de produtos químicos e reaproveitamento de alimentos vencidos na empresa Dielat.

Por 14/10/2026 às 18h49

A Justiça do Rio Grande do Sul condenou 15 pessoas por participação no esquema de adulteração de produtos lácteos da empresa Dielat, localizada em Taquara, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A decisão foi proferida pela 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, com base na denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).

A ação, conhecida como Operação Leite Compensado, deflagrada em dezembro de 2024, revelou que o grupo utilizava soda cáustica e peróxido de hidrogênio para alterar a acidez do leite, enquanto registros paralelos eram mantidos para esconder irregularidades da fiscalização. Além disso, produtos vencidos e impróprios eram reaproveitados na fabricação de alimentos, inclusive resíduos de varredura do chão e raspagens de câmaras de secagem.

Mais de 800 toneladas de mercadorias vencidas, deterioradas ou destinadas à alimentação animal foram encontradas em depósitos clandestinos, mostrando a dimensão do esquema. A sentença determina a destruição definitiva dos produtos apreendidos e prevê a notificação às prefeituras com contratos ativos vinculados aos réus, especialmente em programas de alimentação escolar.

Leia também: Justiça do RS condena 15 pessoas por adulteração de leite com soda cáustica em esquema na Dielat

Detalhes do esquema e condenações

Segundo a sentença, as expressões “vitamina” e “lactose” eram códigos usados para se referir respectivamente à soda cáustica e ao peróxido de hidrogênio. Cálculos matemáticos registrados em cadernos eram utilizados para definir as quantidades químicas adicionadas para ajustar a acidez do leite contaminado. A soda cáustica era retirada dos produtos de limpeza da indústria e incorporada nos silos por meio de recipientes improvisados.

O leite inicialmente destinado à produção do produto UHT com acidez elevada recebia soda cáustica e era posteriormente redirecionado para a fabricação de composto lácteo, após cancelamento da produção original.

As maiores penas foram aplicadas a Antônio Ricardo Colombo Sader e Tales Bardo Laurindo, ambos condenados a 13 anos e 4 meses de reclusão em regime fechado. Dos 15 réus, todos foram condenados por associação criminosa, sendo que 13 também foram sentenciados por adulteração de produtos alimentícios.

Reações das defesas

As defesas de alguns condenados manifestaram intenção de recorrer, afirmando a inocência de seus clientes e apontando supostas nulidades processuais. Advogados destacaram que elementos técnicos podem comprovar a inocência dos réus, além de questionar a validade das provas, argumentando ainda que não existe exame específico para comprovar a utilização da soda cáustica no leite, conforme depoimento de fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

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