PF prende envolvidos em esquema de provedores de internet do Comando Vermelho; casa com elevador de vidro e piscina é apreendida na Barra da Tijuca
Operação Backbone desarticula esquema de provedores de internet controlados por facção criminosa, com prisões e apreensão de bens em imóvel de luxo no Rio.
A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (19) a Operação Backbone com o objetivo de desarticular provedores de internet controlados pelo Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão, Penha e Chapadão, no Rio de Janeiro. A investigação identificou que esses grupos criminosos exploravam o serviço de internet para lavagem de dinheiro e financiamento da facção.
Entre os alvos da ação, foi cumprido um mandado de prisão contra Márcio Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, acusado de continuar comandando as atividades da organização criminosa mesmo estando encarcerado, em conjunto com familiares e outras lideranças.
Prisão de membros da família e autoridades
A operação resultou na prisão da esposa e um dos filhos de Marcinho VP, além do vereador do Rio de Janeiro Fábio Silva, integrante do partido Podemos, que foi detido em Londrina (PR). Até o momento, 19 mandados de prisão foram cumpridos.
Casa de luxo apreendida na Barra da Tijuca
Durante a ação na Zona Oeste do Rio, a Polícia Federal encontrou uma casa de alto padrão vinculada a um dos investigados, beneficiário de uma empresa provedora de internet relacionada à facção. O imóvel, localizado na Barra da Tijuca, possui dois andares, elevador de vidro transparente, piscina e lareira.
Na residência, foram apreendidos armas, dinheiro em espécie, joias e relógios de luxo. A investigação indica que a renda obtida com os serviços clandestinos de internet era significativa, chegando a representar mais de 40% da arrecadação da facção na comunidade da Penha.
Dinâmica do esquema criminoso
Segundo a Polícia Federal, o grupo criminoso controlava os provedores de internet em áreas dominadas, obrigando moradores e comerciantes a contratar o serviço clandestino mediante coerção. Para monopolizar o mercado, cortavam cabos dos concorrentes, incendiavam equipamentos e impediam reparos.
Além disso, as empresas ligadas à facção utilizavam as receitas para lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada em setores como eventos, publicidade, imóveis de luxo pagos em espécie e criptoativos.
Medidas e consequências
A Anatel será comunicada para tomar as providências da cassação das outorgas e interdição dos provedores ilícitos, garantindo a continuidade do serviço de internet para os moradores das áreas afetadas.
Os investigados responderão pelos crimes de domínio social estruturado, extorsão majorada, atentado contra serviços públicos, interrupção de serviços telemáticos, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro.
A Operação Backbone faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para o combate às organizações criminosas conforme as diretrizes do Supremo Tribunal Federal na ADPF 635.