Polícia Federal prende mãe e irmão de Oruam em ação contra monopólio de internet do Comando Vermelho
Operação Backbone desarticula rede de provedores de internet ligados ao tráfico nas comunidades do Rio; bloqueio de bens pode chegar a R$ 558 milhões.
A Polícia Federal prendeu, nesta segunda-feira (19), Márcia Gama e Lucas Santos Nepomuceno, mãe e irmão do rapper Oruam, durante a Operação Backbone, que combate o monopólio da internet imposto pelo Comando Vermelho (CV) nas comunidades do Rio de Janeiro. A ação cumpriu um total de 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 558 milhões.
Os mandados foram cumpridos em diversas cidades, incluindo Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Entre os detidos está o vereador do Rio de Janeiro Fabio Silva (Podemos), preso em Londrina (PR), e Márcio Santos Nepomuceno, pai de Oruam, que já estava encarcerado. Até o momento, não há informações sobre investigação envolvendo diretamente o rapper Oruam.
Estrutura de provedores e receitas ilícitas
A operação visa desarticular a estrutura de provedores de internet controlados pelo Comando Vermelho nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. Segundo a PF, essas empresas, que abrangem desde provedores de internet até produtoras de eventos e firmas de contabilidade, são usadas para lavagem de dinheiro da facção.
A Polícia Federal destaca que Marcinho VP, pai de Oruam, continua a controlar as atividades empresariais nessas áreas junto com familiares e outras lideranças do grupo criminoso. Os lucros são movimentados por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e dissimulados em imóveis de alto padrão, pagamentos em dinheiro vivo e criptoativos.
Imposição do monopólio e impacto nas comunidades
As investigações revelam que criminosos ligados ao Comando Vermelho cortam cabos e incendeiam equipamentos das operadoras regulares para forçar moradores e comerciantes a utilizarem os serviços de internet controlados pelo tráfico, conhecidos como “internet do tráfico”. Provedores autorizados pela facção pagam mensalmente uma tarifa para operar nos territórios dominados.
Documentos apontam que, em um único mês, a cobrança sobre o serviço de internet representou mais de 40% da arrecadação do Comando Vermelho no Complexo da Penha, tornando essa exploração uma das principais fontes de lucro do grupo e fomentando a disputa pelo controle territorial.
Consequências legais e medidas tomadas
Os investigados responderão pelos crimes de domínio social estruturado, extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço público, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será notificada para cassar as outorgas dos provedores e interditar os serviços, com providências para garantir a continuidade do acesso à internet para os moradores das áreas afetadas.
A Operação Backbone integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal e destinada ao combate a organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro, seguindo diretrizes do STF.