Pai leva filha de 7 anos para São Paulo sem autorização da mãe; polícia investiga subtração de incapaz
Pai mantém a criança em São Paulo e aguarda decisão judicial enquanto mãe denuncia ausência de contato e disputa pela guarda.
A Polícia Civil apura a denúncia de que um homem levou a filha de 7 anos para São Paulo sem a autorização da mãe, descumprindo o acordo judicial de convivência entre as partes. A criança deveria ter sido devolvida pela manhã do dia 12 de outubro, após passar o feriado em Duque de Caxias com o pai, mas permaneceu em São Paulo, onde o pai reside.
A mãe, Marcelle Santos Cruz, entregou a filha Eloah no sábado (10) para a tia paterna, seguindo o acordo que alterna a guarda nos feriados. Após o não retorno da menina na data combinada, Marcelle tentou contato com o ex-marido, que não retornou as mensagens e não informou o local onde estava a filha.
Posteriormente, ao procurar a escola da criança, Marcelle descobriu que o pai havia solicitado os documentos escolares e informado à instituição que levaria a menor para São Paulo, com retorno previsto só para novembro. O caso passou a ser investigado como subtração de incapaz.
O advogado da mãe informou que foram registrados dois boletins de ocorrência, um inicialmente pelo descumprimento do acordo e outro após a descoberta da viagem para tentar localizar e garantir o retorno da criança. Também foi protocolado um pedido de busca e apreensão no Plantão Judiciário.
Marcelle acusa ainda o ex-marido de dificultar o contato entre eles e de motivar a situação devido a uma disputa relacionada a crenças religiosas, pois ele é evangélico e ela frequenta uma religião de matriz africana.
Deluan Santos da Cruz, pai da criança, confirma estar com a filha em São Paulo, alegando que aguarda decisão judicial sobre a guarda. Ele nega impedir o contato entre a menina e a mãe, e refuta que a disputa tenha relação com religião. Segundo ele, busca judicialmente a guarda da filha e afirma ter registrado ocorrências contra a mãe, alegando alienação parental e problemas no rendimento escolar da criança.
Deluan possui histórico de investigações anteriores relacionadas a agressões contra outras pessoas, incluindo um inquérito de 2021 que apura denúncia de tortura contra a filha, atualmente sem desfecho público.
A Secretaria Municipal de Educação informou que não havia impedimentos legais para que os pais tivessem acesso aos documentos escolares da criança. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro esclareceu que processos envolvendo menores tramitam em segredo de Justiça.
No momento, a Delegacia da Criança e Adolescente Vítima acompanha o caso para verificar a localização da menina e as circunstâncias da subtração de incapaz, visando garantir a proteção dos direitos da criança.