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Pernambuco

Chefe do PCC e delegada do Pará mantinham relacionamento desde 2024, apura polícia

Delegada Maria Virgínia repassava informações ao chefe do PCC em troca de benefícios financeiros, segundo polícia de Pernambuco.

16/10/2026 às 15h41

A Polícia Civil de Pernambuco divulgou detalhes da Operação Sinalagma, que resultou na prisão no Distrito Federal da delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto, do Pará, e do chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), Renato Henrique do Carmo, conhecido como Gordão, preso no Recife. As investigações apontam que os dois mantinham uma relação desde 2024, com troca de informações sigilosas por proteção e benefícios financeiros.

Segundo o delegado Ney Luiz Rodrigues, responsável pela investigação, foi constatada uma relação “promíscua” entre a delegada e o criminoso, com indícios de um relacionamento amoroso. O vínculo teria se iniciado após a prisão de Renato Henrique no Pará em 2024, ocasião em que foi liberado pela delegada e sua equipe, mesmo portando documentos falsos.

O delegado esclareceu que a situação da prisão inicial aparenta ter sido criada para viabilizar o contato: “O boletim de ocorrência registra que ele teria batido no carro dela, seguido de ofensas feitas a ela. Ela então acionou outro delegado e sua equipe para conduzi-lo até a delegacia, em uma situação aparentemente orquestrada.”

Leia também: Delegada do Pará é presa em operação interestadual por suspeita de repassar informações ao PCC

Durante as investigações, foram encontradas conversas em que Maria Virgínia garantia proteção a Renato caso ele retornasse ao Pará e consultava sistemas policiais para fornecer informações privilegiadas. Em contrapartida, recebia pagamentos e benefícios, inclusive convites e financiamento de viagens para visitá-lo no Recife.

A Operação Sinalagma teve início em janeiro de 2025, quando Renato Henrique foi preso em Muro Alto, no município de Ipojuca (Grande Recife). Ele estava sob monitoramento por tornozeleira eletrônica após ser liberado e prestava serviços à facção criminosa que movimentava cerca de R$ 14 milhões e atuava principalmente nos estados do Acre, Pará e Amazonas, sob sua coordenação.

Antes de se estabelecer no Pará, Renato Henrique exercia liderança do PCC em São Paulo, onde possuía mandado de prisão ativo e utilizava documentos falsos para despistar as autoridades. Em sua residência no Recife, a polícia apreendeu joias e relógios avaliados em mais de R$ 500 mil, caso confirmadas as autenticidades das marcas.

Ambos os presos foram recolhidos ao sistema penitenciário de Pernambuco, respondendo a processos relacionados à facilitação de ações da organização criminosa e corrupção de agentes públicos.

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