Criminosos planejaram e assassinaram 10 membros da mesma família em maior chacina do Distrito Federal
Investigação revelou que grupo matou familiares para tomar posse de chácara avaliada em R$ 2 milhões; cinco homens foram condenados.
Entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, um grupo criminoso planejou e executou o assassinato de 10 pessoas da mesma família no Distrito Federal, numa ação que ficou conhecida como a maior chacina da capital federal. O G1 relembra os detalhes do caso, que abalou o país.
O desaparecimento da cabeleireira Elizamar Silva e dos seus três filhos, no início de janeiro de 2023, deu início à investigação policial que elucidou o complexo esquema por trás do crime.
Planejamento e execução dos crimes
Segundo as investigações da Polícia Civil do DF, o crime foi idealizado em 2022 por Gideon Batista de Menezes e Horácio Carlos Ferreira Barbosa, com a participação de outros três homens, incluindo um adolescente. O objetivo do grupo era eliminar os herdeiros de uma chácara de 5,2 hectares, avaliada em R$ 2 milhões, para tomar posse da propriedade localizada na região do Paranoá.
Em dezembro de 2022, os criminosos sequestraram três membros da família — Marcos Antônio Lopes de Oliveira, pai do marido de Elizamar; sua esposa Renata Juliene Belchior e a filha do casal, Gabriela Belchior. Marcos Antônio foi morto e esquartejado no cativeiro em Planaltina, enquanto Renata e Gabriela foram mantidas reféns.
Em seguida, em janeiro de 2023, Cláudia Regina Marques de Oliveira, ex-mulher de Marcos Antônio, e sua filha Ana Beatriz Marques de Oliveira foram capturadas e levadas para o mesmo cativeiro.
Thiago Gabriel Belchior, marido de Elizamar, foi atraído para a chácara após contato dos criminosos, que usaram seu celular para enganar Elizamar e os filhos, atraindo-os até o local. Gideon e Horácio estrangularam Elizamar e os três filhos, posteriormente incendiando o carro com os corpos dentro, em Cristalina (GO), próximo ao Entorno do DF.
Descoberta e condenação
Ao longo de janeiro de 2023, os corpos das vítimas foram encontrados em diferentes locais: o de Marcos Antônio enterrado e esquartejado perto do cativeiro, e os de Thiago, Cláudia Regina e Ana Beatriz, posteriormente identificados.
Em 2026, cinco homens foram condenados pela chacina em julgamento que considerou diversos crimes, incluindo homicídios qualificados, extorsão, sequestro e ocultação de cadáver. Gideon Batista recebeu a maior pena, superior a 397 anos de reclusão, tendo as demais penas definido conforme o papel de cada réu.
Motivação do crime
A investigação policial concluiu que a motivação principal do assassinato em massa foi a posse da chácara de Marcos Antônio, onde parte da família vivia. Os criminosos acreditavam que, com todos os herdeiros mortos, poderiam assumir e vender o terreno sem impedimentos legais.
A Secretaria de Segurança Pública reforçou que o caso serviu como base para aprimorar as estratégias de resposta a crimes violentos e garantir justiça para as vítimas e suas famílias.